Era alguma data próxima da minha volta para o Brasil. Três semanas, talvez duas. Já não lembro muito bem. O que eu lembro é que nesse dia em específico, eu realmente aparentava estar triste com a volta. Como não estar? Eu estava deixando tudo o que me fazia bem para trás. Bussum, Amsterdam, Homomonument (como eu agora me sentiria segura longe do meu ponto favorito de A'dam?), as tulipas, meu skate, minha bicicleta, meus hosts, meu estranho holandês e minhas crianças.
"Minhas crianças". Toda au pair tem o costume de falar assim. Nós acreditamos com muita certeza que aquelas crianças são de alguma forma nossas. E não são.
Nesse dia, a mãe do meu host me viu cabisbaixa e sentamos para conversar. No meio de tanta sensatez, ela falou algo parecido com:
"Você pode ter essa falsa impressão que os meninos sejam seus filhos. Pudera, você passa muito mais tempo com eles do que eu que sou avó e moro no país ao lado. Mas não. Os meninos têm mãe e eles vão continuar sendo crianças com ou sem você aqui no próximo ano. Quer um conselho? Volte para o Brasil, ache alguém e faça sua própria família. Quando isso acontecer você vai lembrar dessa conversa e vai ver que eu tinha razão: você consegue viver longe deles e amar com muito mais intensidade."
Uma das minhas maiores saudades é ouvir a verdade e não ficar espantada com isso. Sinceridade na Holanda é tradição.
Hoje é aniversario daquele menino que eu peguei no colo quando ele tinha só 9 meses. Aquele que eu vi os primeiros passos e ouvi a primeira palavra (que foi em português, diga-se de passagem).
Em três dias fará um ano que eu o deixei para trás. Hoje, minha nova família é feita de duas pessoas. Logo seremos em três ou quatro. O engraçado é que, diferente do que Fleur me disse, não precisei de um terceiro membro para aquelas palavras fazerem sentido. Seus filhos são só seus e eu não poderia estar mais feliz a respeito.
"Minhas crianças". Toda au pair tem o costume de falar assim. Nós acreditamos com muita certeza que aquelas crianças são de alguma forma nossas. E não são.
Nesse dia, a mãe do meu host me viu cabisbaixa e sentamos para conversar. No meio de tanta sensatez, ela falou algo parecido com:
"Você pode ter essa falsa impressão que os meninos sejam seus filhos. Pudera, você passa muito mais tempo com eles do que eu que sou avó e moro no país ao lado. Mas não. Os meninos têm mãe e eles vão continuar sendo crianças com ou sem você aqui no próximo ano. Quer um conselho? Volte para o Brasil, ache alguém e faça sua própria família. Quando isso acontecer você vai lembrar dessa conversa e vai ver que eu tinha razão: você consegue viver longe deles e amar com muito mais intensidade."
Uma das minhas maiores saudades é ouvir a verdade e não ficar espantada com isso. Sinceridade na Holanda é tradição.
Hoje é aniversario daquele menino que eu peguei no colo quando ele tinha só 9 meses. Aquele que eu vi os primeiros passos e ouvi a primeira palavra (que foi em português, diga-se de passagem).
Em três dias fará um ano que eu o deixei para trás. Hoje, minha nova família é feita de duas pessoas. Logo seremos em três ou quatro. O engraçado é que, diferente do que Fleur me disse, não precisei de um terceiro membro para aquelas palavras fazerem sentido. Seus filhos são só seus e eu não poderia estar mais feliz a respeito.
São Paulo - Dezembro de 2014

