Eu vivo de saudade. Tenho um relacionamento a distância, onde contamos dias e horas, todo o santo dia. Isso me fez ter uma remota impressão que eu estava forte o suficiente para não sofrer mais de saudade, já que agora é um sentimento tão constante. Remota. Bem remota impressão...
Hoje vesti minha linda camisa do Ajax, que eu comprei quando entrei no estádio mais lindo do mundo: o Amsterdam Arena. Era na estação Amsterdam Bijlmer Arena de Amsterdam, o lugar onde vivi algumas das maiores emoções do intercambio. Não só assisti um lindo match do Ajax, como assisti um show da Pink, um da Lady Gaga e outro do Paramore.
Sinto sempre aquele orgulho da minha tal outra pátria quando vejo a Holanda jogar. Eu sento, encho os olhos de brilho e torço como se fosse o nosso Brasil ali em campo. Hoje, em especial, eu estava torcendo muito mais por eles do que o normal. Talvez porque eu sabia que o adversário deles seria a Argentina mais pra frente e, como boa brasileira, quero que um time forte enfrente nossos hermanos. Mas isso era só um "a mais". A verdade é que a Holanda é meu "outro lar" e eu não consigo e nem quero negar isso.
O holandês ainda me é familiar. Hoje, depois de sete meses, eu ainda consegui entender um pouco do que o capitão da Holanda quis dizer antes de começar o jogo. Não pisquei nos primeiros três minutos de jogo até o momento em que meu celular apitou. Era a Chris, mais uma vez.
Digo "mais uma vez" porque a gente se fala ao menos uma vez por semana, ou uma vez a cada 15 dias. Então não me é estranho ela vir mandar uma mensagem aleatória. Mas hoje acho que meu coração tava cheio de emoção e saudade holandesa.
Entre uma foto dos meninos vestidos de laranja e assistindo ao grande jogo e uma selfie do meu querido ex-host father, ela me mandou um áudio do Jaap e foi aí que tudo se perdeu (ou se achou, depende do ponto de vista).
O áudio não tinha nem um minuto mas conseguiu fazer com que eu chegasse ao ápice da saudade. Ele, aquela criança mais doce que eu já conheci e sim, meu favorito (julgue quem quiser), falou com o mais lindo holandês que sente a minha falta. Guiado pela mãe para suprir a timidez, o Jaap falou do jeito mais lindo o que uma ex-au pair, boba igual eu, gosta de ouvir. Alguns minutos antes da gravação do áudio, ele tinha contado para a Chris que sente a minha falta. Então ela pegou o celular e fez ele repetir. E repetiu, e mandou beijo, e me fez chorar, e me fez sentir, e um tanto de "es" que se encaixariam nessa frase...
De repente eu lembrei do nosso tchau. Meu e do Jaap. Eu esperava a Chris chegar em casa para me levar até o aeroporto, enquanto ele, sentado no meu colo, montava nosso quebra-cabeças favorito. Eu abraçava-o e chorava, e chorava, e chorava... Me esforçava para que ele não notasse e abraçava aquele corpinho magrelo o mais forte que eu conseguia.
Chris chegou e era a hora. Eu queria dar um abraço rápido e sair correndo, pra que ele não olhasse a "gek Letit" dele daquele jeito, tão triste e desesperada. Mas não foi assim...
Falei:
- Dag, Jaap. Me dá um beijo.
Ele bateu o pé no chão, cruzou os braços e gritou:
- Nee!
Nessa hora eu já não conseguia mais falar nada porque um nó gigante tava instalado em minha garganta. Mas ele repetia:
- Nee, Letit! - com a cara mais emburrada que se pode imaginar.
Como a gente já estava atrasadas, forcei um abraço e saí engasgada. Jaap não queria dar tchau pra mim tanto quanto eu não queria dar tchau pra ele...
Sete meses se passaram e hoje foi o dia que mais senti saudade de tudo. De cada pedaço da Holanda, de cada sorriso dos meus meninos. Senti saudade do frio, do excesso de laranja, do G que parece R. Senti saudade da Chris, do Casijn, dos pequenos. Senti saudade de hagelslag, de stroopwafel, do arroz nasi. Foi o dia que eu consegui sentir saudades até dos momentos ruins, porque eu parecia mais forte ali atrás e sabia resolver. Brigas com um menino de 6 anos, era o maior dos meus problemas.
Quem me dera. I wish. I miss it.
Ik mis je ook, Jaap. Espero com toda a pouca fé que existe dentro de mim, que esse "keer" do meu "tot de volgende", chegue mais rápido do que imaginamos. Mais rápido do que eu imagino, todos os dias.
Hoje vesti minha linda camisa do Ajax, que eu comprei quando entrei no estádio mais lindo do mundo: o Amsterdam Arena. Era na estação Amsterdam Bijlmer Arena de Amsterdam, o lugar onde vivi algumas das maiores emoções do intercambio. Não só assisti um lindo match do Ajax, como assisti um show da Pink, um da Lady Gaga e outro do Paramore.
Sinto sempre aquele orgulho da minha tal outra pátria quando vejo a Holanda jogar. Eu sento, encho os olhos de brilho e torço como se fosse o nosso Brasil ali em campo. Hoje, em especial, eu estava torcendo muito mais por eles do que o normal. Talvez porque eu sabia que o adversário deles seria a Argentina mais pra frente e, como boa brasileira, quero que um time forte enfrente nossos hermanos. Mas isso era só um "a mais". A verdade é que a Holanda é meu "outro lar" e eu não consigo e nem quero negar isso.
O holandês ainda me é familiar. Hoje, depois de sete meses, eu ainda consegui entender um pouco do que o capitão da Holanda quis dizer antes de começar o jogo. Não pisquei nos primeiros três minutos de jogo até o momento em que meu celular apitou. Era a Chris, mais uma vez.
Digo "mais uma vez" porque a gente se fala ao menos uma vez por semana, ou uma vez a cada 15 dias. Então não me é estranho ela vir mandar uma mensagem aleatória. Mas hoje acho que meu coração tava cheio de emoção e saudade holandesa.
Entre uma foto dos meninos vestidos de laranja e assistindo ao grande jogo e uma selfie do meu querido ex-host father, ela me mandou um áudio do Jaap e foi aí que tudo se perdeu (ou se achou, depende do ponto de vista).
O áudio não tinha nem um minuto mas conseguiu fazer com que eu chegasse ao ápice da saudade. Ele, aquela criança mais doce que eu já conheci e sim, meu favorito (julgue quem quiser), falou com o mais lindo holandês que sente a minha falta. Guiado pela mãe para suprir a timidez, o Jaap falou do jeito mais lindo o que uma ex-au pair, boba igual eu, gosta de ouvir. Alguns minutos antes da gravação do áudio, ele tinha contado para a Chris que sente a minha falta. Então ela pegou o celular e fez ele repetir. E repetiu, e mandou beijo, e me fez chorar, e me fez sentir, e um tanto de "es" que se encaixariam nessa frase...
De repente eu lembrei do nosso tchau. Meu e do Jaap. Eu esperava a Chris chegar em casa para me levar até o aeroporto, enquanto ele, sentado no meu colo, montava nosso quebra-cabeças favorito. Eu abraçava-o e chorava, e chorava, e chorava... Me esforçava para que ele não notasse e abraçava aquele corpinho magrelo o mais forte que eu conseguia.
Chris chegou e era a hora. Eu queria dar um abraço rápido e sair correndo, pra que ele não olhasse a "gek Letit" dele daquele jeito, tão triste e desesperada. Mas não foi assim...
Falei:
- Dag, Jaap. Me dá um beijo.
Ele bateu o pé no chão, cruzou os braços e gritou:
- Nee!
Nessa hora eu já não conseguia mais falar nada porque um nó gigante tava instalado em minha garganta. Mas ele repetia:
- Nee, Letit! - com a cara mais emburrada que se pode imaginar.
Como a gente já estava atrasadas, forcei um abraço e saí engasgada. Jaap não queria dar tchau pra mim tanto quanto eu não queria dar tchau pra ele...
Sete meses se passaram e hoje foi o dia que mais senti saudade de tudo. De cada pedaço da Holanda, de cada sorriso dos meus meninos. Senti saudade do frio, do excesso de laranja, do G que parece R. Senti saudade da Chris, do Casijn, dos pequenos. Senti saudade de hagelslag, de stroopwafel, do arroz nasi. Foi o dia que eu consegui sentir saudades até dos momentos ruins, porque eu parecia mais forte ali atrás e sabia resolver. Brigas com um menino de 6 anos, era o maior dos meus problemas.
Quem me dera. I wish. I miss it.
Ik mis je ook, Jaap. Espero com toda a pouca fé que existe dentro de mim, que esse "keer" do meu "tot de volgende", chegue mais rápido do que imaginamos. Mais rápido do que eu imagino, todos os dias.
São Paulo - Julho de 2014


