Não sabia bem o que fazer quando chegasse no Brasil. Me concentrei tanto em aproveitar cada segundo na Holanda que, automaticamente, bloqueei meu futuro próximo que agora está aqui e me pegou de surpresa - mesmo não sendo tão surpresa assim.
Descer em São Paulo, olhar para todos os lados e ouvir gente falando português, ver dois rostos familiares segurando cartazes as sete da manhã e incrivelmente felizes em me ver... era tudo tão diferente mesmo sendo a vida que eu conhecia por vinte e dois anos...
Minha família fez de um tudo pra me ajudar na readaptação em casa. E quando eu digo 'casa', não quero dizer nosso apartamento que ainda me é familiar. Quero dizer essa terra gigante chamada São Paulo, da qual eu caí bem ali, mais uma vez.
Eu morei por quinze meses na cidade mais calma que já visitei em toda a minha vida. Pacata, organizada e encantadora Bussum. Trinta e dois mil habitantes! Tudo o que eu conseguia pensar no longo caminho do aeroporto até a nossa casa, é como as pessoas podem andar nesses ônibus cheios. Ou como alguém se atreve deixar o vidro do carro aberto no farol? Estamos no Brasil! Fechem as janelas e escondam seus celulares. Esses eram meus constantes pensamentos desde o dia que pisei em São Paulo novamente.
Hoje faz três meses e três dias. Eu olhei pra uma das fotos penduradas na parede do meu novo quarto e pensei "que saudade da Holanda!".
Tenho uma saudade constante da Holanda. Vez ou outra ainda acrescento uma palavra em holandês nas minhas frases das quais as pessoas que convivem comigo foram obrigadas a aprender. Ainda encho a Chris de mensagens e ela me enche de fotos dos meus meninos agora tão crescidos (em tão pouco tempo). Ainda derreto quando vejo qualquer coisa sobre Amsterdam em algum filme e fico extremamente feliz quando olho pra minha perna e vejo uma promessa a ser cumprida.
Na hard tentativa de me acostumar com o Brasil depois de um ano e três meses fora da minha realidade, fui em uma dessas entrevistas de emprego semana passada. Foi muito estranho o quanto eu precisava citar a Holanda pra explicar quem eu agora sou. Todas as perguntas eu precisava falar "antes do intercambio isso acontecia comigo, hoje não mais". "Antes da Holanda eu poderia agir assim, mas lá eu aprendi que bla bla bla".
Quem me viu depois do intercâmbio sabe que eu não sou de ficar contando mil histórias. Nunca fui. Sou aquela que vai apenas responder o que você me perguntou. Mas nessa entrevista de emprego me dei conta que eu não consigo mais explicar quem eu sou sem citar o bem que o intercâmbio me fez.
Tenho saudade da Holanda não só por ser um "lar" pra mim. Essa saudade constante pode também ser nomeada como gratidão, frugalidade... E, mesmo com tanta saudade dentro de uma pessoa só, agora, depois de três meses em terras brasileiras, sinto que comecei a gostar de novo do lugar em que cresci. Mesmo São Paulo sendo o lugar mais opoente da Holanda que se possa existir, consegui enfim achar motivos suficientes para recomeçar.
Descer em São Paulo, olhar para todos os lados e ouvir gente falando português, ver dois rostos familiares segurando cartazes as sete da manhã e incrivelmente felizes em me ver... era tudo tão diferente mesmo sendo a vida que eu conhecia por vinte e dois anos...
Minha família fez de um tudo pra me ajudar na readaptação em casa. E quando eu digo 'casa', não quero dizer nosso apartamento que ainda me é familiar. Quero dizer essa terra gigante chamada São Paulo, da qual eu caí bem ali, mais uma vez.
Eu morei por quinze meses na cidade mais calma que já visitei em toda a minha vida. Pacata, organizada e encantadora Bussum. Trinta e dois mil habitantes! Tudo o que eu conseguia pensar no longo caminho do aeroporto até a nossa casa, é como as pessoas podem andar nesses ônibus cheios. Ou como alguém se atreve deixar o vidro do carro aberto no farol? Estamos no Brasil! Fechem as janelas e escondam seus celulares. Esses eram meus constantes pensamentos desde o dia que pisei em São Paulo novamente.
Hoje faz três meses e três dias. Eu olhei pra uma das fotos penduradas na parede do meu novo quarto e pensei "que saudade da Holanda!".
Tenho uma saudade constante da Holanda. Vez ou outra ainda acrescento uma palavra em holandês nas minhas frases das quais as pessoas que convivem comigo foram obrigadas a aprender. Ainda encho a Chris de mensagens e ela me enche de fotos dos meus meninos agora tão crescidos (em tão pouco tempo). Ainda derreto quando vejo qualquer coisa sobre Amsterdam em algum filme e fico extremamente feliz quando olho pra minha perna e vejo uma promessa a ser cumprida.
Na hard tentativa de me acostumar com o Brasil depois de um ano e três meses fora da minha realidade, fui em uma dessas entrevistas de emprego semana passada. Foi muito estranho o quanto eu precisava citar a Holanda pra explicar quem eu agora sou. Todas as perguntas eu precisava falar "antes do intercambio isso acontecia comigo, hoje não mais". "Antes da Holanda eu poderia agir assim, mas lá eu aprendi que bla bla bla".
Quem me viu depois do intercâmbio sabe que eu não sou de ficar contando mil histórias. Nunca fui. Sou aquela que vai apenas responder o que você me perguntou. Mas nessa entrevista de emprego me dei conta que eu não consigo mais explicar quem eu sou sem citar o bem que o intercâmbio me fez.
Tenho saudade da Holanda não só por ser um "lar" pra mim. Essa saudade constante pode também ser nomeada como gratidão, frugalidade... E, mesmo com tanta saudade dentro de uma pessoa só, agora, depois de três meses em terras brasileiras, sinto que comecei a gostar de novo do lugar em que cresci. Mesmo São Paulo sendo o lugar mais opoente da Holanda que se possa existir, consegui enfim achar motivos suficientes para recomeçar.
São Paulo - Março de 2014