quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Dank u wel, Nederlands!

Parece que chegou.

Chegou o dia de abraçar cada um dos meus meninos pela última vez (ao menos num futuro próximo). Chegou o dia de ver a Chris chorar feito um bebê e abraçar-la repetindo a cada dois segundos o quanto a amo. Hora de fechar a porta de casa e entregar a chave pra um outro alguém. Hora de sentir o último frio mais gostoso que se pode sentir. Hora de dar aquela última olhada no encanto que é Amsterdam, nem que seja de dentro de um carro a caminho do aeroporto. Chegou o último "Letitia", "Tícia", "Letit" e todos os novos nomes que ganhei quando comecei a fazer parte do mundo holandês.

Ontem foi minha festa de despedida na casa da Chris e foi um dos melhores dias do ano. E posso dizer que esse ano passado foi recheado dos melhores dias da vida... Mas ontem foi importante demais. Estavam aqui dentro de casa as pessoas que mais amo dessa Holanda. Tinha a Fabi representando todo nosso antigo grupo de Bussum e, a cada sorriso que ela dava, eu tinha uma memória de tudo o que nós quatro passamos juntas. Tinha a Isa que, como ela mesma diz, somos novas amigas mas parece que, no fundo, nos conhecemos ha tanto tempo. Parece, na verdade, que ela sempre esteve aqui comigo ou que talvez somos antigas amigas de colegial. Por último mas não menos importante, tinha minha família holandesa. Aquela que eu vou sempre encher a boca quando for falar sobre, e encher o peito de orgulho por ter feito parte da melhor família que essa holanda habita.

Em algum momento da noite, me desliguei do que tava acontecendo e peguei o celular pra mandar alguma mensagem. Nisso, a Chris de cima de uma cadeira e um pouco bêbada demais (como todo o resto), grita meu nome inúmeras vezes. Fui até ela, dançamos-abraçamos-falamos sobre amor ao mesmo tempo. Foi a primeira vez, depois de um ano e três que consegui falar "I love you!" pra ela e não só escrever.

Ouvimos "nossa música" que, inacreditavelmente, era a mesma! Ela lembra de mim com exatamente a mesma música que lembro dela. Justificamos por ser a música que tocou várias vezes quando estávamos juntas na Espanha, mas a verdade é que a música é pra lá de nossa cara.

Foi uma noite cheia de amor, de risadas, de choro, de abraço. Eu chorava e ria com a mesma intensidade. Não porque eu estava bêbada...mas era só porque apesar de toda minha tristeza, ver a minha família reunida e me fazendo sentir tão importante, fazia o choro virar riso.

Não que eu não tivesse antes, mas a certeza que caí na família que mais combina comigo, gritava dentro de mim. A Chris é daquelas que canta Miley Cyrus com você e coloca um Skank pra tocar. Aquela que dança "É o tchan" com suas amigas e diz que a Pink é a melhor cantora, por saber que você gosta também. Aquela que, demorou um ano e três meses, mas enfim me conheceu por completo, passando na frente de muita gente que se diz "família" no Brasil. Família pra mim nunca teve a ver com sangue, de qualquer maneira.

Um ano cheio de moinhos e tulipas. Descobertas geladas, bonecos de neve, paciência afiada, stroopwafel que, de um dia pro outro, virou produto indispensável. Um ano cheio de auto descobertas, cheio de novas e boas amizades. Ano com ar fresco, mesmo que esse ar seja um pouco gelado demais as vezes. Ano que aquele coração que chegou vazio, volta transbordando. Ano que um menino de quatro anos me ensinou muito mais que qualquer professor no ensino fundamental. Ano que eu comecei a me perguntar se, "lar" é necessariamente o lugar em que nascemos...

É, parece que é agora. Chegou a hora de respirar fundo, abraçar a host gritando numa voz provavelmente rouca de tanto chorar, aquela frase que agora faz parte de mim...

Tot de volgende keer.


Holanda - 2012/2013