Semana passada, minha mãe me mandou uma foto minha de 500 a.C. Essa aqui do lado. Lindinha, né? Mas, essa não era eu. Alias, era. Só que era a Lelê que minha mãe montava. Calma! É complexo, mas eu explico.
Não estou julgando minha mãe: qualquer mulher normal gosta de colocar laços, vestidos, sapatinhos e combinar as roupas das filhas. Mas isso significa que, até uns 7, 8 anos, a menina é aquilo que a mãe quer que ela seja, certo? Certo.
Então o tempo passa e você descobre quem realmente você é. Você jamais iria me ver dos 12 anos pra frente, sentada tão meiga desse jeito. Ou com um arquinho na cabeça combinando com o vestido.
Só que a mente humana é tão doida, que as vezes você se pega tentando arduamente ser o que seus pais desejavam que você fosse. Sem um motivo muito plausível. As vezes você só acha que a vida seria mais simples daquela maneira.
O grande problema é que eu não passei 4 meses tentando ser o que as pessoas queriam que eu fosse. Eu passei os últimos 2 ou 3 anos fazendo isso. E, no meio de tanta confusão, eu acreditei ser aquela pessoa.
Mas, de uma coisa eu tinha certeza: era na Holanda que tudo iria se ajeitar. Por isso eu tinha medo de vir pra cá mas, ao mesmo tempo, eu queria muito. Eu precisava sair do meio de tanto conflito pra poder ter uma conversa séria comigo mesma.
Esse dia chegou. Hoje fiquei muito ociosa à noite. Três pessoas diferentes me chamaram pra ir em três lugares e, não tava com o animo que é preciso pra se arrumar decentemente e sair de casa. Então resolvi sair sozinha (assim, sem aquela pressão de "se-arrumar-para-sair", entende?).
Coloquei aqueles mil agasalhos necessários para tirar o pé pra fora de casa aqui na Holanda, peguei meia garrafa de vodka que restava em minha geladeira e fui. Pra onde? Nem eu sabia.
Saí sem rumo e, no caminho, lembrei de uma praça perto do meu curso de inglês e pra lá mesmo que eu fui.
Eu não sou o tipo de pessoa que sai de casa uma e meia da manhã, sem rumo e num frio de 4 graus. Não, de verdade! Tenho muita preguiça acumulada pra fazer isso. Mas hoje eu tive vontade. E essa é a vantagem de morar sozinha: em 3 segundos decidi ir, em 5 me agasalhei e saí. Assim mesmo, sem falar pra ninguém, sem deixar ninguém preocupado e sem ter que dar satisfação da minha loucura.
Não quero dar detalhes da minha conversa (mental, gente. Não se preocupem!) comigo mesma. Parece um pouco particular demais pra anunciar pra sabe Deus quem nesse blog. Mas se você é meu amigo mesmo, mais cedo ou mais tarde, acabará sabendo. Sem ter que perguntar, ok? Poupem-me de curiosidade, por favor. Já basta a minha!
É engraçado que, quando eu resolvo fazer esse tipo de coisa, me vem muita gente na cabeça. De repente tava a Luana na minha mente falando "Ah, nem. Você é doida, Leticia. Cade seu ritmoneuram, hein?". Ou a Lys dizendo que eu sou a rainha da Holanda e que tudo vai ficar bem! haha. Ou a Deborah que dá o abraço mais gostoso do mundo no meio de um Mc Donalds, quando vê uma ou duas lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Eu acho que é por isso que eu não costumo "conversar" sozinha. É tão mais agradável quando tem alguém pra concordar com você ou te xingar porque acha que você ta errada (essa geralmente é a Luana).
Depois de mais de uma hora sentada à toa na praça, resolvi andar de bike. Coloquei uma música e fui. No meio da setlist, começou a tocar uma música que a letra encaixa perfeitamente na situação. É mais ou menos assim:
"I stare at my reflection in the mirror
Why am I doing this to myself?
Losing my mind on a tiny error
I nearly left the real me on the shelf
Don't lose who you are in the blur of the stars
Seeing is deceiving, dreaming is believing
It's okay not to be okay
Sometimes it's hard to follow your heart
Tears don't mean you're losing
Everybody's bruising
Just be true to who you are."
Toda essa confusão tem me feito bem. É engraçado se julgar errado. Principalmente alguém como eu, que sempre achava que tinha a razão ou sempre fingia tê-la. Os tempos mudam, graças à Deus!
O título desse post é o resumo de todo ele. E o fim do post, é a continuação da música, essencial para explicação de tanta ausência de mim mesma. Espere e verás. Um dia esse texto fará sentido pra você também.
"I'm not the girl that I intend to be,
But I dare you, darling, just you wait and see..."

