quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

6 meses e a metade já foi. Já?

Essa semana eu me obriguei a tomar a decisão que tá me sendo cobrada desde...sei lá. Desde muito tempo! Conversei com algumas amigas, com minha família, pedi ajuda de todos os santos. Mas eu sabia que, a palavra final era minha, então não adiantava pra quantas pessoas eu pedisse a opinião... a opinião que contava mesmo era a minha. Só que eu não tinha uma opinião, uma resposta.

Coloquei na balança tudo - como me aconselharam a fazer. Pensei como seria voltar pro Brasil em agosto de 2014, como seria voltar em dezembro de 2013 - até considerei ser uma pessoa normal e voltar em agosto de 2013, que dará um ano certinho e o intercâmbio já vai ter acabado. Mas não. Nunca fui muito normal.

Sei que domingo tomei a grande decisão: vou ficar até dezembro. O próximo passo era fazer minha host saber disso. Segunda ela tava ocupada demais, não parava quieta. Que nervoso!

Cheguei em casa à noite e resolvi mandar um e-mail pra ela com tudo o que eu tava pensando. Falei que será mais barato pra nós duas eu ir embora em dezembro, será uma boa época do ano pra ela ensinar uma nova au pair, falei que não vou ter seguro saúde se eu ficar mais que isso... enfim! Mil razões. Mas falei também o quanto vou sentir saudade desses meninos estranhos... :(

Ela finalmente concordou comigo. Pediu pra eu ficar até depois do Natal pelo menos e, não né? O objetivo de voltar em dezembro é passar o Natal e Ano Novo com minha família. Mas enfim, deu tudo certo e vou voltar exatamente quando eu queria.

Aí passei pra segunda fase do processo: o saber que um dia acaba - literalmente.

Na terça de manhã eu acordei cheia de amores pelas minhas crianças. O Jurrijn acordou com um interesse absurdo pelo "português-do-BASIL" -(como ele fala), e me perguntou várias coisas. E eu descobri que "Parabéns-pra-você" é muito difícil de cantar. 

À tarde a vó deles (que é a coisa mais fofinha do mundo) veio aqui. Ela deve ter notado minha cara de depressão e veio conversar comigo.

Me perguntou se eu tava bem e bláblá. Em minutos estávamos falando do quanto vou sentir falta daqui, quando eu chegar no Brasil.

"They gotta go on, you know? And you need to go on too. You'll be back in Brasil, you'll find someone and make your own family."

Eu provavelmente nunca vou esquecer isso que ela me falou. Mas dói, sabe? Saber que agora eu sou tão próxima deles e pra tudo eles chamam meu nome, e em menos de um ano, eu simplesmente não vou mais vê-los. 

Vou sim voltar pro Brasil e construir minha família. Mas vai sempre faltar essas partezinhas que fui obrigada a deixar pra trás. E, nesse caso, não há nada que eu possa fazer pra mudar. 

To tentando bravamente me concentrar em todas as coisas boas que vão acontecer quando eu chegar no Brasil. Mas, alguma noite em terras brasileiras, vou assistir esse vídeo abaixo e, não vai ter ninguém que consiga me fazer parar de chorar... Pobre família!


Jurrijn cantando - Fevereiro 2013