Eu to muito amor nesse fim de ano. Eu poderia escrever um romance dos mais melosos e ainda tematizar como "história verídica".
Ok, é hipérbole.
Ontem foi meu aniversário de quatro meses de Holanda. Eu tava doente e de ressaca, mas ainda assim eu não conseguia parar de sorrir e de agradecer à Deus por tanta gente linda que entrou na minha vida de uma vez só.
No Brasil, meus Natais eram sempre iguais. Eu não reclamo porque ao menos eu passava com duas das pessoas mais importantes da minha vida: meu pai e minha irmã. Mas por outro lado, eu tava precisando de algo diferente.
Então resolvi dar uma festa aqui em casa. Com brasileiras, holandeses e até o namorado da Talita, que tinha acabado de aterrizar do Brasil.
Eu já ganhei a noite nos primeiros 30 minutos. A Chris veio na minha casa pra conhecer o Hans, pegou um copinho e ficou um bom tempo bebendo com a gente. Eu já citei o quanto amo quando ela ta bêbada? Ela fica muito engraçada, amável, demonstra sentimento e tudo mais.
Mas antes de continuar a contar do Natal, vou contar do dia 24 de manhã com meus meninos.
Eles tavam demais de gracinhas. Juro! E eu tava ansiosa esperando a primeira briga deles, para eu usar o truque do "quem quer um presente?" e eu poder distribuir os presentes de Natal pra eles acalmarem. Mas demorou. Pra lá de 10 horas, começaram a se bater. Ok, era a hora. Eis que eu falo:
"Jurrijn and Jaap, quem quer cadeautje?" (presente em holândes)
Nossa, como aqueles olhinhos brilharam e o silêncio tomou conta do ambiente. haha Falei pra colocarem o tênis que iamos buscar os presentes na casa de Leticia.
Os dois repetiam: "Corre, corre, cadeautje!!!". haha É uma mistura incrível de holandês com português. Fiz um videozinho desse momento e da pra conferir tudo aqui embaixo. Só está um pouco escuro, mas ainda assim da pra ver.
Quando a Chris acordou, ele saíram correndo e gritando "Mamma, olha o presente que a Letitia nos deu!".
Lindos!
Natal é muito clima de amor. Eu juro que não entendo as pessoas que não gostam dessa época do ano.
Aí entreguei o presente da Chris e do Casijn, e por sorte resolvi fazer uma "mini carta" pra entregar junto. A Chris amou o presente e falei que era pra ela ler a carta depois, quando eu não estivesse mais lá. Essa timidez ainda me persegue. Aqui abaixo, a carta:
Nesses meses aqui na Holanda, uma das lições que mais aprendi foi, sempre falar o que pensa. Não importa consequências, o importante é não deixar de falar. Bom, hoje ainda é dia 27, mas posso garantir que a Chris é outra pessoa depois dessa carta. Não... "outra pessoa" é exagero demais. Mas estamos um tanto mais próximas. Faz muito bem falar o que vem de dentro, sem filtro algum (desde que isso seja uma coisa positiva, logicamente).
Mandei mensagem pra ela quando o Hans já tinha chegado aqui em casa à noite. Não demorou um minuto (sério mesmo) e ela estava batendo na minha porta pra conhece-lo. E conheceu, e bebeu, e conversou com todos, foi amável com todos. Eu tava era com orgulho dela! Ela falou tantas vezes pra Fabi o quanto quer que eu fique aqui mais que um ano, o quanto ela gosta que os meninos saibam o português, o tanto que eles aprendem comigo e aprenderam com as outras aupairs brasileiras também.
E o Natal se foi.
Amanhã viajaremos rumo a Suíça pra passar o ano novo em família. Eu estou animada, lógico. Mas confesso que tem um aperto no peito que eu não sei da onde vem. Talvez seja pelo fato que vou procurar minha irmã e minha mãe às 23:59 pra abraçá-las e não vou achar.
As pessoas tem me falado: "Mas uau, você estará NA SUÍÇA". Desculpa, mas pra mim ainda é importante abraçar minha família no ano novo, desejá-los a mesma coisa todos os anos e, ainda assim, encher os olhos de lágrimas de tamanha alegria em te-los por perto. Seja em Suarão, Garopaba, Floripa, Suíça... Não importa. O importante é ter alguém pra você dizer o quanto ama. Esse ano, não sei se vou conseguir.
Vou ficar bem, família. Não se preocupem. É só que a saudade vai bater forte, isso eu sei. Mas a Chris e meus pequenos não vão me deixar triste por muito tempo. Isso eu posso garantir.
Amo vocês, ok? Abracarei todos em pensamento as três da manhã, que no Brasil será meia noite!
