Eu prometo que não é tpm, mas já não posso garantir que não seja a "síndrome-dos-quatro-meses".
A síndrome dos quatro meses é muito conhecida entre as intercambistas. E eu sempre acreditei muito nessas coisas, porque todos os meus ex-relacionamentos passaram por algum tipo de problema nos sete meses. Sete pra relacionamento, quatro pra intercambio. Não sei qual é a lógica, mas alguma lógica tem.
Não, não posso dizer que essa síndrome relata algum problema, porque não é verdade. Eu só estou emocional demais pra uma Letícia só.
Final de semana foi maravilhoso com as meninas. Fomos pra Maastricht (uma cidade pra lá de gracinha). É ótimo quando junta boas companhias com cidade bonita. Parece que tudo fica tão perfeito, que nem o frio incomoda.
[Essa foto é no trem, indo pra Maastricht. Três horas de viagem, das quais a gente nem sentiu, porque a conversa tava boa demais.]
Domingo fomos pra Amsterdam, fizemos passeios ótimos de novo. Lá em Amsterdam, comprei presentinhos pra Luana (uma das minhas melhores amigas do Brasil). Ah, eu fiquei tão feliz em comprar, porque eu sei que em um mês ela já vai receber (vou mandar através dos pais da Deborah que também moram em Goiania). Aí começou o "mimimi".
Cheguei em casa empolgadíssima e fiz uma super carta pra Luana. Nem eu sabia o quanto eu amo essa menina. A Lu me ajuda demais, me escuta demais, ri demais da minha cara, sabe da minha vida de trás pra frente. Quando terminei de escrever a carta, me deu tanta vontade de voar pra Goias e dar um abraço gigante naquela menina, que meu deus. Quebraria todos os ossos dela.
Aí depois dessa reflexão de "quanto eu amo minhas amigas", fui trabalhar.
Hoje eu fui meio que mãe e pai das crianças. Fiz tudo o que é necessário fazer pra criar três crianças. E é engraçado como esses meninos amam me testar. Quando um para de chorar, o outro começa. Quando o segundo para, o outro bate no primeiro e começa uma nova briga. haha Eu dou risada agora, mas na hora exige MUITA paciência e muito jeito pra lidar com essas coisas. Eu aprendi demais! Na verdade eu até gosto quando tenho que separa-los e faze-los parar de chorar. Porque é tão bom quando eles param e eu vejo que consegui. Ou quando a briga começa e a primeira coisa que eles fazem é gritar meu nome ou vir correndo e ficar agarrados na minha perna, porque sou eu quem vai fazer tudo acalmar.
Coloquei o bebe pra dormir e fiquei com os dois mais velhos assistindo Burman and Burman. Os dois abraçados em mim, coisinha mais gostosa. Deu 20:00 e subi com eles. Coloquei o Jaap na cama que dormiu em 3 segundos. Aí sentei na cama do Jurrijn porque sei que a criatura demora mais pra pegar no sono....
Aí ele falou algo como:
- Letitia, krabben zijn rug?
- What, Jurrijntje?
- Krabben zijn rug, Letitia! Please!
Aí eu pedi pra ele me explicar o que é "krabben zijn rug". Ele me mostrou que ele tava pedindo pra eu coçar as costas dele.
Ah não! Eu acho que fiquei uns 40 minutos coçando as costas dele. E quando eu parava pra descansar, ele falava "Letitiaaa...". E quem disse que eu conseguia parar?
Quem me conhece desde pequena já entendeu o por que de tanta dorzinha no coração.
Pra quem não: Quando eu era pequena e ainda dormia com minha mãe, essa era a frase de toda a noite "Mãe, coça minhas costas?". E quando ela parava, eu só falava "mããee..." e ela já entendia que era pra continuar, até eu dormir...
Enquanto eu coçava as costas do Jurrijn, meu olho enchia de lágrima. Não só porque eu lembrei daquela época boa, mas porque imaginei o Jurrijn crescendo... jájá ele tem 23 anos, como eu, e será que tudo que ele imaginava que era verdade quando criança, se manterá por tanto tempo?
Aí eu imaginei o dia que eu tiver que dar tchau pra esse menino...
Ah, não. Tá vendo, leitor? Não é drama. É só muito difícil imaginar perder alguém que você ama.
Não quero pensar no fim. Não quero mesmo. Afinal, o fim é belo ou incerto. Depende de como você vê. Não é?
Maastricht - Dezembro 2012