Há uns dois meses atrás, estava eu sentada na minha cama assistindo Grey's Anatomy num dia de folga, quando a Chris entrou na minha casa bruscamente, falando no celular, e me perguntou:
- Estou fechando pacote pra gente ir pra Suíça dia 29. Você quer?
Ha-ha, minha cara. Não é pergunta que se faça pra intercambista.
Dia 29 de dezembro, as três da manhã, estávamos nós seis saindo de Bussum, rumo à Suíça.
A viagem de ida foi ótima. Eu estava maravilhada com toda paisagem diferente que eu via. Essa foto aqui do lado, eu tirei na Alemanha. Fazia muito tempo que eu não via um Sol tão lindo quanto esse (lembrem-se que na Holanda isso é raro).
Depois de longas 12 horas de viagem, enfim chegamos na tal fria (muito fria) Suíça.
Só de ver as paisagens lindas que eu vi, já valeu todo o esforço. Libriana é assim mesmo: é bem importante pra gente ver lugares/pessoas/etc. bonitos.
Chegamos, descarregamos as malas e nessa eu já estava congelando. Ou tipo isso. Sem exageros!
Os meninos se divertiam na neve, pulando, enfiando os pés e as mãos na neve, e eu, estática, tudo o que pensava era: quedelhe minhas luvas?
A menor temperatura que pegamos foi no segundo dia: -11. Gente, MENOS ONZE! Eu xinguei tanto os Europeus (mentalmente, é claro!). Eu pensava "Por que diacho alguém saí de um país já frio o suficiente, pra vir congelar em outro? Pra esquiar? Que mané esquiar, minha gente!". Juro que eu não entendia. Perguntei umas três vezes pra Chris se ela ja pensou na possibilidade de passar as férias na PRAIA com as crianças. E o que ela me respondia? "Eles não sabem nadar". Porra, como assim eles sabem esquiar mas não sabem nadar? No Brasil não é assim não, minha senhora! haha
No terceiro dia passou minha revolta. Foi só no começo, juro! Deve ser porque eu quase perdi meus dedos dos pés, já que decidi sair de casa só com duas meias. No terceiro dia eu fui esperta: saí com quatro. Então, o frio deixou de ser problema.
Eu intitulei o post como "a host family que virou family", mas não pensem vocês, caros leitores, que foi só de um modo positivo. Família! Pense na sua família. O quanto você a ama e o quanto você sente vontade de esmagar todos os pescoços de vez em quando...
E foi isso que aconteceu. A viagem serviu pra nos deixar muito próximos em todos os sentidos. Bebemos juntos (estou falando de mim e dos hosts, ok? As crianças pularam a parte da bebida haha), rimos juntos, falamos sobre maconha, homossexualismo, sobre minha família no Brasil, sobre meu futuro....ou seja, tudo! E, pra quem me conhece um pouco que seja, sabe o quanto eu admiro quem é a favor dos gays. E meus hosts se mostraram muito "open-mind". E nessa, já me ganharam pra sempre.
Mas, como nem tudo é um desenho da Disney, a Chris soube me irritar também. E foi um dia só, mas foram duas frases que valeram pela semana inteira. Era o segundo dia do ano, eu tinha sobrevivido à virada-sem-a-família-brasileira, e ela conseguiu estragar. Tudo o que eu não chorei no dia 31, chorei no dia 02. Me deixei sofrer! Peguei todos os vídeos do Brasil que eu tinha e chorei, chorei, chorei...Limpei a alma. Tinha um vídeo da Bel em que ela falava "Esse vídeo é pra você ver quando tiver na Europa...." seguido de um monte de besteiras engraçadas que ela falou. Eu parecia uma bipolar que tinha recém escapado do manicômio: ria e chorava ao mesmo tempo, com muita intensidade.
Foi muito bom. Eu precisava notar que, "Não, Letícia, essa não é a sua família!". Sua família esta do outro lado do oceano e não vê a hora que você volte pra casa. Essa aqui é uma família Holandesa que te tem como parte da família, até o momento que você entrar no avião rumo ao Brasil novamente.
[Essa foto é do meu quarto na Suíça.]
Quando eu era adolescente, eu realmente achei que eu teria duas famílias quando eu fosse fazer intercâmbio: a brasileira e a holandesa. Mas não. Família é uma só. É difícil lidar com isso. Eu sou muito apegada nesses meninos mas, em um ano virá uma nova au pair e eu vou ficar só na lembrança, nas fotos e nos mil videos que o Casijn fez na Suíça.
Mas independente do que eles virem a ser daqui pra frente, eu to tentando aproveitar o máximo enquanto posso. Enquanto ainda os tenho como família (com ou sem o 'host' na frente).
Sobre a virada:
Eu realmente achei que seria uma merda. Pensei: "Nossa, eu e os hosts...!" Consegui deixar o pensamento pior: "A au pair vela com os hosts..."
Eu considerei várias vezes falar pra eles que eu queria passar no meu quarto sofrendo de saudade do Brasil. Pensei em falar que não sou de comemorar. Que não sou de beber. Que não sou de qualquer coisa, tudo pra fugir desse momento que poderia ser trágico...mas não foi!
A virada foi ótima! Eles pareciam um casal de amigos de 23 anos. Falando besteiras, tirando fotos toscas (essa aí de cima foi uma das 'fotos toscas'. A Chris que teve a idéia de por o champagne e a taça em cima desse monumento e pediu pra eu bater uma foto. hahaha), e mostrando que holandeses também sabem se divertir (por mais incrível que essa frase pareça!).
Depois da meia noite e dos escassos fogos de artificio, voltamos pra casa, bebemos um pouco mais e fomos dormir. E eu dormi tão rápido que não deu tempo nem de chorar de saudade.
Meu celular não funcionava, nem mensagem pros meus amigos eu podia mandar. Então o que me restava era dormir mesmo, porque 2013 já estava à minha espera.
Todos os outros dias foram ótimos. O melhor momento foi o "esqui-bunda". Subimos uma montanha altíssima (não sei dizer quanto de altura mas, pra vocês terem ideia, a descida com o esqui-bunda, demorava cerca de 25 minutos). Eu adorei. Eu ri demais. O Casijn fez um vídeo ótimo meu descendo a montanha, mas ele não me passou ainda. Assim que ele passar, postarei.
No outro dia eu resolvi tentar esquiar. A Chris me emprestou o equipamento dela e lá fui eu. Eu tinha um professor e dois mini professores também!
O negócio é pesado, exige um esforço sem tamanho das pernas, mas é legal!
Mas eu volto à pergunta do começo do texto: como as crianças sabem esquiar e não sabem nadar? Nadar é pra lá de mais fácil, minha gente! Por favor!
Tem diferença cultural maior que essa? Acho que não. Eu sempre fui bem chata pro calor em excesso, mas continuo preferindo o mar à neve, o sol à neblina e o calor ao frio. E esses europeus são exatamente ao contrário. Saí fora!
- Estou fechando pacote pra gente ir pra Suíça dia 29. Você quer?
Ha-ha, minha cara. Não é pergunta que se faça pra intercambista.
Dia 29 de dezembro, as três da manhã, estávamos nós seis saindo de Bussum, rumo à Suíça.
A viagem de ida foi ótima. Eu estava maravilhada com toda paisagem diferente que eu via. Essa foto aqui do lado, eu tirei na Alemanha. Fazia muito tempo que eu não via um Sol tão lindo quanto esse (lembrem-se que na Holanda isso é raro).
Depois de longas 12 horas de viagem, enfim chegamos na tal fria (muito fria) Suíça.
Só de ver as paisagens lindas que eu vi, já valeu todo o esforço. Libriana é assim mesmo: é bem importante pra gente ver lugares/pessoas/etc. bonitos.
Chegamos, descarregamos as malas e nessa eu já estava congelando. Ou tipo isso. Sem exageros!
Os meninos se divertiam na neve, pulando, enfiando os pés e as mãos na neve, e eu, estática, tudo o que pensava era: quedelhe minhas luvas?
A menor temperatura que pegamos foi no segundo dia: -11. Gente, MENOS ONZE! Eu xinguei tanto os Europeus (mentalmente, é claro!). Eu pensava "Por que diacho alguém saí de um país já frio o suficiente, pra vir congelar em outro? Pra esquiar? Que mané esquiar, minha gente!". Juro que eu não entendia. Perguntei umas três vezes pra Chris se ela ja pensou na possibilidade de passar as férias na PRAIA com as crianças. E o que ela me respondia? "Eles não sabem nadar". Porra, como assim eles sabem esquiar mas não sabem nadar? No Brasil não é assim não, minha senhora! haha
No terceiro dia passou minha revolta. Foi só no começo, juro! Deve ser porque eu quase perdi meus dedos dos pés, já que decidi sair de casa só com duas meias. No terceiro dia eu fui esperta: saí com quatro. Então, o frio deixou de ser problema.
Eu intitulei o post como "a host family que virou family", mas não pensem vocês, caros leitores, que foi só de um modo positivo. Família! Pense na sua família. O quanto você a ama e o quanto você sente vontade de esmagar todos os pescoços de vez em quando...
E foi isso que aconteceu. A viagem serviu pra nos deixar muito próximos em todos os sentidos. Bebemos juntos (estou falando de mim e dos hosts, ok? As crianças pularam a parte da bebida haha), rimos juntos, falamos sobre maconha, homossexualismo, sobre minha família no Brasil, sobre meu futuro....ou seja, tudo! E, pra quem me conhece um pouco que seja, sabe o quanto eu admiro quem é a favor dos gays. E meus hosts se mostraram muito "open-mind". E nessa, já me ganharam pra sempre.
Mas, como nem tudo é um desenho da Disney, a Chris soube me irritar também. E foi um dia só, mas foram duas frases que valeram pela semana inteira. Era o segundo dia do ano, eu tinha sobrevivido à virada-sem-a-família-brasileira, e ela conseguiu estragar. Tudo o que eu não chorei no dia 31, chorei no dia 02. Me deixei sofrer! Peguei todos os vídeos do Brasil que eu tinha e chorei, chorei, chorei...Limpei a alma. Tinha um vídeo da Bel em que ela falava "Esse vídeo é pra você ver quando tiver na Europa...." seguido de um monte de besteiras engraçadas que ela falou. Eu parecia uma bipolar que tinha recém escapado do manicômio: ria e chorava ao mesmo tempo, com muita intensidade.
Foi muito bom. Eu precisava notar que, "Não, Letícia, essa não é a sua família!". Sua família esta do outro lado do oceano e não vê a hora que você volte pra casa. Essa aqui é uma família Holandesa que te tem como parte da família, até o momento que você entrar no avião rumo ao Brasil novamente.
[Essa foto é do meu quarto na Suíça.]
Quando eu era adolescente, eu realmente achei que eu teria duas famílias quando eu fosse fazer intercâmbio: a brasileira e a holandesa. Mas não. Família é uma só. É difícil lidar com isso. Eu sou muito apegada nesses meninos mas, em um ano virá uma nova au pair e eu vou ficar só na lembrança, nas fotos e nos mil videos que o Casijn fez na Suíça.
Mas independente do que eles virem a ser daqui pra frente, eu to tentando aproveitar o máximo enquanto posso. Enquanto ainda os tenho como família (com ou sem o 'host' na frente).
Sobre a virada:
Eu realmente achei que seria uma merda. Pensei: "Nossa, eu e os hosts...!" Consegui deixar o pensamento pior: "A au pair vela com os hosts..."
Eu considerei várias vezes falar pra eles que eu queria passar no meu quarto sofrendo de saudade do Brasil. Pensei em falar que não sou de comemorar. Que não sou de beber. Que não sou de qualquer coisa, tudo pra fugir desse momento que poderia ser trágico...mas não foi!
Depois da meia noite e dos escassos fogos de artificio, voltamos pra casa, bebemos um pouco mais e fomos dormir. E eu dormi tão rápido que não deu tempo nem de chorar de saudade.
Meu celular não funcionava, nem mensagem pros meus amigos eu podia mandar. Então o que me restava era dormir mesmo, porque 2013 já estava à minha espera.
Todos os outros dias foram ótimos. O melhor momento foi o "esqui-bunda". Subimos uma montanha altíssima (não sei dizer quanto de altura mas, pra vocês terem ideia, a descida com o esqui-bunda, demorava cerca de 25 minutos). Eu adorei. Eu ri demais. O Casijn fez um vídeo ótimo meu descendo a montanha, mas ele não me passou ainda. Assim que ele passar, postarei.
No outro dia eu resolvi tentar esquiar. A Chris me emprestou o equipamento dela e lá fui eu. Eu tinha um professor e dois mini professores também!
O negócio é pesado, exige um esforço sem tamanho das pernas, mas é legal!
Mas eu volto à pergunta do começo do texto: como as crianças sabem esquiar e não sabem nadar? Nadar é pra lá de mais fácil, minha gente! Por favor!
Tem diferença cultural maior que essa? Acho que não. Eu sempre fui bem chata pro calor em excesso, mas continuo preferindo o mar à neve, o sol à neblina e o calor ao frio. E esses europeus são exatamente ao contrário. Saí fora!
Abaixo, mais algumas fotos dessa tão incrível (para uma brasileira, é claro) viagem!
Meu mini professor de esqui
Ensinando tudo em holandês e eu fingindo que tava entendendo
Jaap sendo lindo num lugar lindo!
Minha paixãozinha
Vista feia
Quando todos saíam, eu aproveitava meu tempo pra tirar fotos idiotas!
É isso! Adeus, Saas Fee. Até uma próxima. Foi um belo cenário pra um começo de 2013!


