Aquela vez enfim chegou. Quando eu saí da Holanda, fiz aquele tipo de promessa de brasileiro: "até a próxima vez", mesmo não sabendo se teria mesmo uma próxima vez.
Dois anos se passaram. Os meninos cresceram, eu cresci. Eu não sou mais aquela menina tímida que fala pra dentro e não entende de política. Eles não são mais apegados à mim, não lembram o português que eu ensinei e cresceram MUITO nesse tempo todo.
Dois anos se passaram e nossas vidas mudaram completamente.
Agora eu descobri que sou uma metade e que minha vida sem a Fer parece mesmo incompleta. Longe dela falta algo, falta metade.
Agora eles falam um pouco de inglês e estão mais difíceis de lidar. O Jurrijn foi detectado com dislexia o que explica muita coisa que eu nunca tinha entendido. Jaap agora não é mais tão amoroso quanto antigamente mas ao menos deixou suas manhas pra trás. Pouco pra trás. Deixou todas para o Justus, o caçula. Justus agora é dramático, decidido, manhoso. É do tipo que bate o pé quando não consegue o que quer, ou bate nos irmãos mesmo, depende do humor...
Eu precisava vir pra Holanda não só pra virar a página, mas pra fechar o livro. Agora eu sou supervisora de uma equipe e várias vezes me pego pensando "que saudade de ser au pair, as coisas eram mais fáceis, tinha menos estresse". Essa é a parte ruim do intercâmbio: quando a gente volta, só conseguimos lembrar das coisas boas, do amor das crianças, da host open minded, da Holanda segura e perfeita.
A Holanda continua sendo o lugar mais seguro que já conheci (ou um dos) mas agora se estou sozinha, ela fica longe de ser o lugar perfeito pra mim. Nesse exato momento o lugar perfeito é São Paulo. Eu precisava vir tão longe pra enfim entender e aceitar isso.
Agora o "tot de volgende keer" se tornou "see you when we are both on the same page". Parece que assim faz mais sentido.