sábado, 12 de outubro de 2013

Tot Ziens

Ontem eu fui dormir ouvindo uma das minhas músicas preferidas do Asaf Avidan. A letra é linda mas não fazia muito sentido com as coisas que eu tava sentindo. Mesmo assim, Asaf bom do jeito que é, conseguiu que de alguma forma, o som da sua gaita encaixasse nesse tanto de "adeus"' que tenho tido que falar ultimamente.

Parece que a cada pessoa que vai embora, é uma dor diferente. O último "tchau" foi um tanto quanto "até logo, nos vemos em breve". Mesmo assim, não é aquele breve que vai anestesiar a minha saudade no auge dos dias mais melancólicos.

Eis que o adeus mais dolorido chegou. Eu me pego no meio de um dia qualquer, olhando pra algum canto de Bussum e pensando que essa cidade não é mais nossa (se é que um dia foi). Vendo a "nova geração" de au pairs chegar e lembrando o quão feliz a nossa foi. E aí que minha melhor amiga e parte fundamental dessa minha história aqui, tá indo embora.

Não teremos mais um final de semana em Amsterdam, andando pelas mesmas ruas com ou sem rumo. Os dias sem rumo eram meus favoritos, mas ela preferia saber pra onde ir. E enquanto eu mostrava pra ela as músicas pop que eu tenho escutado, ela, com uma ansiedade bonitinha, procurava alguma música alternativa no ipod, pra me mostrar que ela também gosta de coisa boa. E nossos gostos tão diferentes, fazem uma amizade mais divertida: temos mais motivos pra rir uma da outra!

É o tipo de pessoa que sabe o que estou pensando, sem nem precisar perguntar. Pega duas frases por mim faladas, e já sabe a conclusão que tirei daquela história toda que estou prestes a contar.

Foi por ela que conheci pessoas que hoje são importantes demais na minha vida. E tenho certeza que ela conheceu pessoas pra levar pra sempre por minha causa também. Uma amizade cheia de benefícios pelo simples fato de existir.

Hoje fui pra Amsterdam sozinha e reparei em muitas casas que eu nunca tinha notado. Dei risada e lembrei com a maior alegria o motivo de tal descuido: era mais importante ouvir a Deh falando sem parar do que prestar atenção em detalhe de casa holandesa.

E é com muitas lágrimas nos olhos, coração apertado e cabeça cheia, que na próxima semana direi "até logo". Não só por achar que vamos nos ver logo. Mas por saber que, não importa o que digam, teimo em acreditar que "Goiânia é ali do lado".


Holanda - Outubro de 2013