Eu quero começar o post decepcionando todo mundo: eu não assistia "O Clone". Desculpem amigos, desculpa Glória Perez, mas nessa época eu provavelmente não gostava de novelas ou eu só não tinha paciência pro Murilo Benício fazendo papel de tonto (ainda não tenho, diga-se de passagem).
Eu ouvi vários "por que Marrocos?" desde o dia que comprei a passagem, até embarcar. E eu tenho várias respostas. Das práticas: eu precisava sair da Área Schengen e não queria ir pra Inglaterra mais uma vez. Podia escolher Dublin mas nunca fiz muita questão de conhecer a Irlanda. Fui eliminando os países "próximos" na minha cabeça e a verdade é que nada restou.
Partindo desse princípio, tudo que eu sabia sobre o Marrocos, vinha do que aprendi na escola ou do que eu ouvi as pessoas que já tinham ido, falarem. Não era muito mas ainda assim era um bom começo.
Eu ouvi vários "por que Marrocos?" desde o dia que comprei a passagem, até embarcar. E eu tenho várias respostas. Das práticas: eu precisava sair da Área Schengen e não queria ir pra Inglaterra mais uma vez. Podia escolher Dublin mas nunca fiz muita questão de conhecer a Irlanda. Fui eliminando os países "próximos" na minha cabeça e a verdade é que nada restou.
Foi quando comecei a pensar longe e, no "longe" o Marrocos sempre foi a primeira opção. A frase "dormir no deserto do Saara" sempre foi empolgante demais pra ser ignorada.
E foi!
Com a companhia da melhor amiga mais uma vez, lá fomos nós rumo à Marrakech. Marrakech é uma das cidades marroquinas com uma das mais conhecidas medinas. E foi bem no centro dela que nos hospedamos. Ficamos ali, no meio da medina, ao lado da Praça Central e alguns passos da mesquita. Não sei se consigo descrever o quão diferente é esse mundo, do mundo que nós brasileiros estamos acostumados. Mas tentarei.
No primeiro amanhecer, era só seis da manhã e um berrante extremamento alto começou a ecoar. Era tão alto que eu tinha uma certeza muito grande que aquilo estava acontecendo dentro do hostel, sem exageros. Depois do susto e da perda total de sono, levantamos pra nos arrumar porque o rumo do dia era o deserto!
Entramos numa van e passamos aparentemente uma vida dentro dela, até chegar no deserto. Demorou, paramos em lugares lindos pra tirar foto mas o que nos esperava era ainda mais lindo.
Chegamos no deserto no fim do dia, já começava a escurecer. Nosso grupo era de 14 pessoas e pasmem: 11 mulheres e 3 homens (eu, feminista que sou, me enchi de orgulho quando vi sete mulheres - incluindo-me nessa - brigar com dois homens muçulmanos). Cada um subiu no seu camelo e fomos com eles até o nosso acampamento. Andar de camelo é uma daquelas experiências engraçadas que você precisa fazer pra contar o quão esquisito você, no fundo, é.
Chegando no acampamento foi provavelmente a lua mais bonita que vi em toda a vida. Sabe quando está tudo escuro e, de repente, a lua ilumina tudo? Lua cheia, céu estrelado, deserto - aquele lugar que você não consegue enxergar o fim. Tudo era surreal!
Jantamos a comida estranha (e boa!) e tomamos o chá de costume deles. Sentamos em volta de uma fogueira e lá, passamos uma das noites mais linda de nossas vidas. A música esquisita me parecia melhor que qualquer Pink que eu costumo ouvir. As palmas distraídas as vezes acompanhavam a música, as vezes não. Diferente das palmas, a energia de todas as pessoas estava sincronizada. Parecia que, naquela noite, todos nós fossemos iguais mesmo extremamente diferentes.
Tiramos os sapatos e dançamos. Não era um James e meu grupo de amigos não estava lá pra dançar Lady Gaga e rir uns dos outros, mas mesmo sendo uma música impossível de cantar, fez com que, em segundos, todas as pessoas até então sentadas, levantassem e esquecessem que tinha gente olhando. Nessa hora um "trenzinho-de-festa-de-15-anos" nem parecia tão ridículo assim!
Ainda ao som dos batuques marroquinos, pegamos no sono e nos obrigamos a dormir. Dia seguinte nos esperava, ainda era importante ver o sol nascer.
Ir (e voltar!) pro deserto não foi fácil. Foi um perrengue, muitas horas de viagem, foi relativamente caro e requereu bastante empenho. Mas se eu tiver oportunidade de ir outra vez, vou ser a primeira a levantar da cadeira e colocar a mochila nas costas. Depois da minha vinda pra Holanda, foi provavelmente a experiência mais válida que tive.
De volta à Marrakech, exploramos a cidade e vivemos a diferença cultural. Os marroquinos são estranhos e um pouco insistentes demais quando o assunto é "vender". Mas isso não atrapalhou nossa estadia e muito menos nossas compras.
Tive o aniversário mais diferente desses 24 anos. Confesso que sempre achei que comemoraria meu aniversário de 24 anos numa boate gay em Las Vegas, rodeada de Drag Queens, cantando "YMCA" e bebendo tequila. BEM diferente disso, andar de carruagem e jantar num dos restaurantes mais lindinhos de Marrakech tão bem acompanhada pela Déh, foi mais lindo do que eu esperava.
"Fui pro Marrocos com 23, voltei com 24." Diferente do que a frase parece dizer, não passei um ano por lá. Mas os cinco dias que vivemos em terras marroquinas, foram suficientes pra ter a certeza de duas coisas: podemos viajar bastante mas nunca teremos 1/3 de noção do que é o mundo e do que podemos encontrar passeando por ele. Marrocos é um país extremamente machista mas foi lá que vivi a cena mais feminista da vida, até hoje. E, não importa o que aconteça, vou sempre olhar pra aquele dia e ter orgulho de ser o que sou. Ou do que somos.
Entramos numa van e passamos aparentemente uma vida dentro dela, até chegar no deserto. Demorou, paramos em lugares lindos pra tirar foto mas o que nos esperava era ainda mais lindo.
Chegamos no deserto no fim do dia, já começava a escurecer. Nosso grupo era de 14 pessoas e pasmem: 11 mulheres e 3 homens (eu, feminista que sou, me enchi de orgulho quando vi sete mulheres - incluindo-me nessa - brigar com dois homens muçulmanos). Cada um subiu no seu camelo e fomos com eles até o nosso acampamento. Andar de camelo é uma daquelas experiências engraçadas que você precisa fazer pra contar o quão esquisito você, no fundo, é.
Chegando no acampamento foi provavelmente a lua mais bonita que vi em toda a vida. Sabe quando está tudo escuro e, de repente, a lua ilumina tudo? Lua cheia, céu estrelado, deserto - aquele lugar que você não consegue enxergar o fim. Tudo era surreal!
Jantamos a comida estranha (e boa!) e tomamos o chá de costume deles. Sentamos em volta de uma fogueira e lá, passamos uma das noites mais linda de nossas vidas. A música esquisita me parecia melhor que qualquer Pink que eu costumo ouvir. As palmas distraídas as vezes acompanhavam a música, as vezes não. Diferente das palmas, a energia de todas as pessoas estava sincronizada. Parecia que, naquela noite, todos nós fossemos iguais mesmo extremamente diferentes.
Tiramos os sapatos e dançamos. Não era um James e meu grupo de amigos não estava lá pra dançar Lady Gaga e rir uns dos outros, mas mesmo sendo uma música impossível de cantar, fez com que, em segundos, todas as pessoas até então sentadas, levantassem e esquecessem que tinha gente olhando. Nessa hora um "trenzinho-de-festa-de-15-anos" nem parecia tão ridículo assim!
Ainda ao som dos batuques marroquinos, pegamos no sono e nos obrigamos a dormir. Dia seguinte nos esperava, ainda era importante ver o sol nascer.
Ir (e voltar!) pro deserto não foi fácil. Foi um perrengue, muitas horas de viagem, foi relativamente caro e requereu bastante empenho. Mas se eu tiver oportunidade de ir outra vez, vou ser a primeira a levantar da cadeira e colocar a mochila nas costas. Depois da minha vinda pra Holanda, foi provavelmente a experiência mais válida que tive.
De volta à Marrakech, exploramos a cidade e vivemos a diferença cultural. Os marroquinos são estranhos e um pouco insistentes demais quando o assunto é "vender". Mas isso não atrapalhou nossa estadia e muito menos nossas compras.
Tive o aniversário mais diferente desses 24 anos. Confesso que sempre achei que comemoraria meu aniversário de 24 anos numa boate gay em Las Vegas, rodeada de Drag Queens, cantando "YMCA" e bebendo tequila. BEM diferente disso, andar de carruagem e jantar num dos restaurantes mais lindinhos de Marrakech tão bem acompanhada pela Déh, foi mais lindo do que eu esperava.
"Fui pro Marrocos com 23, voltei com 24." Diferente do que a frase parece dizer, não passei um ano por lá. Mas os cinco dias que vivemos em terras marroquinas, foram suficientes pra ter a certeza de duas coisas: podemos viajar bastante mas nunca teremos 1/3 de noção do que é o mundo e do que podemos encontrar passeando por ele. Marrocos é um país extremamente machista mas foi lá que vivi a cena mais feminista da vida, até hoje. E, não importa o que aconteça, vou sempre olhar pra aquele dia e ter orgulho de ser o que sou. Ou do que somos.
Marrocos - Setembro de 2013