segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O "interlude" que eu precisava

Meados de maio o Paramore anunciou que faria um show em Amsterdam em setembro. Fui depressa avisar a Chris pra comprar ticket pra mim e ela me olhou com a cara mais confusa do mundo e falou:

- Para who?

Foi aí que descobri que aqui, Paramore não significa muita coisa. No fundo pra mim era bom: isso provavelmente significava ausência de fãs do twilight ou glee.

Honestamente, eu nem estava muito animada pro show. Não sei dizer se é porque eu já tinha ido em dois shows deles em São Paulo, se era porque eu nem conhecia as músicas do novo CD ou ser era porque eu passei da idade mesmo, mas eu definitivamente não estava com muita empolgação.

Chegando lá, muito diferente do que a Chris tinha dito, a fila estava gigante. Desliguei minhas preocupações e me deixei aproveitar, já que era mais uma vez, um momento só meu.

Paramore é uma paixão antiga. Não tinha como eu virar as costas e falar "não vou", mesmo eu já não sabendo mais o novo repertório deles. O primeiro show que fui, foi em 2008. Depois de novo em 2011. Parece que eu não podia pular o 2013, especialmente porque agora era em Amsterdam.

No primeiro show eu tinha 19 anos, cabelo laranja, andava de all star e namorava pela primeira vez. O all star se manteve no meu pé, apesar de o cabelo laranja ter sumido junto com a ex-pessoa. E, do contrário que eu imaginei que aconteceria, esse show de 2013 lembrou só a mim e ao meu passado, e não a aquele passado compartilhado.

No meio do show, a Hayley sentou em frente a um piano e eu já imaginava que ela tocaria a música que deixa fãs de glee enlouquecidos (The only Exception). Eu tava pronta pra ouvir a música quando, diferente disso, ela começou a cantar uma das minhas preferidas e que ainda consegue tocar lá no fundo quando eu escuto.

A música chama "When it Rains". Eu ouvia todas aquelas palavras que ainda fazem sentido pra mim, mesmo depois de tanto tempo... Olhei pro lado e tinha uma holandesa se acabando de chorar. Olhei para o outro lado e tinha um menino cantando com a mão no peito (é sério!) como se aquilo significasse muito pra ele também. Apesar de eu não ter feito nenhuma das duas coisas, pra mim também significava.

"And you'll sleep till May and you'll say that you don't wanna see the sun anymore. And no, how could you do it? I never saw it coming. I need an ending. So why can't you stay just long enough to explain?"

Notei que cinco anos passaram e, apesar de eu ter mudado tanto, lá no fundo eu sou a mesma Letícia. Continuo me emocionando com as mesmas besteiras e rindo das mesmas piadas.

Mais pro final do show, a Hayley resolveu dar conselhos pra platéia, em forma de fala e música. Entre uma voz grossa e alguns cuspes (que ela adora soltar no palco, diga-se de passagem) ela falou:

- Sei que é um pouco clichê, um pouco brega, mas as vezes precisamos ouvir isso: tudo acontece por uma razão.

Seguido disso, enfim meu interlude favorito. Com voz ríspida e um pouco masculina demais para uma mulher de 24 anos, ela fazia todos cantarem as suas mágoas, como se fosse um sertanejo disfarçado de rock.

Eu não tinha mágoas e absolutamente nada pra reclamar, na verdade. Mas aquela pessoa esquisita de cabelo vermelho e que muitas vezes me lembrou os bonequinhos do playmobil dos meus meninos, conseguiu arrancar lá do fundo uma voz que gritava: "Besides, I'm moving on..."


Amsterdam - Setembro de 2013