E então um ano se passou...
Como se não fosse o suficiente a data pesar na minha cabeça, a Chris resolveu que iriamos todos jantar juntos nesse dia. Falou pra eu estar em casa por volta das 18 e me juntar a eles.
Quando sai pra ir na casa da minha amiga à tarde, um milhão de pensamentos me vieram. Parecia um filme: eu no carro da minha irmã, vestindo camiseta azul da agência, a caminho do aeroporto. A gente nem trocava muitas palavras e eu nem sei dizer se eu estava nervosa. Tiramos algumas fotos, comemos e fui embora. Virei as costas com lágrimas nos olhos, pensando "nossa, é sério mesmo! Só vou vê-las daqui a um ano...".
Depois disso, meu pensamento pulou para a chegada em Amsterdam. Lembrei o quão desesperada eu fiquei em não ver a Chris logo de cara. Ela, mostrando desde o primeiro dia, o quão não é uma pessoa pontual.
O quanto tudo era novidade. O quanto eu fiquei 15 dias acordando e pensando "nossa, eu tô na Holanda!" e sentindo borboletas no estômago. E o quanto parecia mágico o sonho se tornar realidade. Ainda parece, as vezes.
Me passou na cabeça as cenas mais simples e que, pra mim, significaram muita coisa. Quando o Justus aprendeu a falar meu nome, o primeiro passo (que alias, fui eu quem vi), o primeiro diálogo em holandês que consegui ter com alguém ou até a garçonete grega que sentou na minha mesa e virou alguém significante de um segundo para o outro, só pelas coisas que ela conseguiu me dizer. Londres como a primeira viagem, Suíça o frio mais absurdo da minha vida, Roma a redescoberta, e tantas outras viagens significantes.
Era como se eu tivesse realmente me desligando do mundo para só relembrar o tanto que mudei. E mudei!
Comecei então a me perguntar se, caso estivesse indo embora hoje, esse seria um bom fim...
Então cheguei em casa e fui jantar com eles. Fiquei conversando um bom tempo com a Chris. Ela tem o dom de fazer as coisas parecerem mais bonitas, pelo jeito confuso de dizer. No meio de um assunto qualquer, ela olhou pro nada e falou:
- Sabe... eu tenho que aceitar o fato de que eu fui sortuda com você. Tenho que aceitar que você foi tudo em uma pessoa só. E o mais importante, tenho que aceitar que isso está acabando...
Eu não queria chorar de novo, sério. Ninguém aqui aguenta mais ver meus olhos mareados. Então agarrei na taça de vinho e resolvi que o que eu realmente queria, era deixar a noite divertida. Assim foi. Rimos das mesmas piadas que provavelmente nunca vão perder a graça.
É esquisito pensar que era pra eu estar no Brasil uma hora dessas. Eu realmente não sinto que acabou. Eu realmente acho que um ano não seria suficiente pra eu aprender tudo o que ainda me falta aprender (e definitivamente não estou falando do holandês). Eu só acho que tudo acontece no tempo certo e tenho custado a aprender (ainda assim, aprendido) que até as coisas ruins que nos acontecem, tem um significado bom para ser. Tenho respirado fundo e tirado o drama do meu peito. Tenho aceitado as despedidas e fins um pouco melhor que antes. Talvez seja porque agora eu tenho uma data para o meu fim de Holanda...mesmo que eu não faça questão de ter.
Holanda - UM ANO!