Eu poderia escrever um texto de vinte páginas falando quantas coisas a Holanda me ensinou. Mas pra evitar a fadiga dos leitores, vou resumir um pouco.
As pessoas que mais gosto estão indo embora. É difícil e eu provavelmente nunca vou me acostumar com o fato de que é preciso dizer tchau. Nesse último mês eu tenho sofrido mais do que eu queria pensando em ver as pessoas que ganharam meu coração, agora tão longe. Mas hoje...hoje eu resolvi pensar em mim!
Hoje foi a entrevista no skype da Chris com a nova au pair. Enquanto a Chris conversava com ela, o Jaap veio sentar no meu colo e esse foi o dialogo:
- Letit, a mamãe ta falando com a nova au pair. Não vai ser mais você, né?
- É, Jaap. A Letícia vai voltar pro Brasil...
- Hm... eu vou pro Brasil com você!
Eu abracei esse menino tão forte, que ele deve muito ter quebrado um osso. Sério!
Quando ele saiu da minha casa, comecei a pensar o quanto eu to preocupada com a despedida dos outros e esquecendo que a minha vem logo mais. O quanto eu tenho ficado de saco cheio dos meninos com qualquer birra que antes me fazia rir.
Nesse mesmo momento, a Chris me chamou pra ajudar na conversa com a nova menina, porque estava complicado de entender o inglês. Segundos depois eu me vi (como se eu estivesse me assistindo de cima), uma menina que há 12 meses não lembrava como era "sacola plástica" em inglês, se tornando uma tradutora simultânea sem a menor dificuldade.
Nessa mesma semana, uma vizinha me viu falando com as crianças e elogiou meu holandês como uma empolgação tão grande que até acreditei que pode ser verdade.
Mas eu não quero dizer que o inglês ou o holandês foram as coisas mais importantes que aprendi. Tudo que eu aprendi veio de dentro. Aprendi coisas sobre mim que até eu desconhecia!
Das coisas mais simples, a Holanda me ensinou a ser direta: se eu não quero, a frase deve ser "eu não quero". Sem desvios, sem interrupções, sem mentiras deslavadas. Talvez as pessoas julguem o povo holandês como um povo ríspido. Eu discordo. O povo holandês é prático, é direto e sincero. Brasileiro (eu, inclusive, ha pouco tempo atras) tem mania de não querer falar pra não machucar, pra poupar sofrimento. Ninguém precisa disso! Aqui eles são do tipo "Te falarei na cara. Lide com isso.". E lide com isso mesmo! Já tenho meus problemas, por que diabos vou tentar minimizar o problema dos outros se tiver que poupar a sinceridade?
Essa próxima, eu não digo nem "a holanda me ensinou", mas a minha host me ensinou (ou ao menos está tentando bravamente me ensinar) a ser forte. A Chris é o tipo de pessoa que corta sofrimento. Não deu certo? Ok, tenta uma coisa diferente. Assim, rapidamente e com pouco sofrimento. Nunca vou esquecer do dia que a vi chorando e me desesperou muito. Porque ela é a Chris, ela não sofre, poxa! E todas as vezes que ela me viu triste ou chorando, ela me abraçava e repetia que "tudo ia ficar bem", "shit happens", "pula pra próxima". Não que ela seja sem coração (BEM longe disso). É só que ela não vê razão nenhuma pra sofrer por alguém ou por algum fato que deu muito errado na sua vida. As coisas acontecem.. Mais uma vez, lidemos com isso. Mas lidemos sem estender o sofrimento.
A Holanda me ensinou muita coisa boa e eu tava a um passo de me tornar uma tremenda de uma mal agradecida. O abraço de um menino de quatro anos e as quatro palavras holandesas que ele me falou, me trouxeram pra realidade da Holanda que eu estava prestes a esquecer. Sem demandas, a Holanda continua me deixando orgulhosa. Dessa vez, não só do país... mas de mim mesma!
As pessoas que mais gosto estão indo embora. É difícil e eu provavelmente nunca vou me acostumar com o fato de que é preciso dizer tchau. Nesse último mês eu tenho sofrido mais do que eu queria pensando em ver as pessoas que ganharam meu coração, agora tão longe. Mas hoje...hoje eu resolvi pensar em mim!
Hoje foi a entrevista no skype da Chris com a nova au pair. Enquanto a Chris conversava com ela, o Jaap veio sentar no meu colo e esse foi o dialogo:
- Letit, a mamãe ta falando com a nova au pair. Não vai ser mais você, né?
- É, Jaap. A Letícia vai voltar pro Brasil...
- Hm... eu vou pro Brasil com você!
Eu abracei esse menino tão forte, que ele deve muito ter quebrado um osso. Sério!
Quando ele saiu da minha casa, comecei a pensar o quanto eu to preocupada com a despedida dos outros e esquecendo que a minha vem logo mais. O quanto eu tenho ficado de saco cheio dos meninos com qualquer birra que antes me fazia rir.
Nesse mesmo momento, a Chris me chamou pra ajudar na conversa com a nova menina, porque estava complicado de entender o inglês. Segundos depois eu me vi (como se eu estivesse me assistindo de cima), uma menina que há 12 meses não lembrava como era "sacola plástica" em inglês, se tornando uma tradutora simultânea sem a menor dificuldade.
Nessa mesma semana, uma vizinha me viu falando com as crianças e elogiou meu holandês como uma empolgação tão grande que até acreditei que pode ser verdade.
Mas eu não quero dizer que o inglês ou o holandês foram as coisas mais importantes que aprendi. Tudo que eu aprendi veio de dentro. Aprendi coisas sobre mim que até eu desconhecia!
Das coisas mais simples, a Holanda me ensinou a ser direta: se eu não quero, a frase deve ser "eu não quero". Sem desvios, sem interrupções, sem mentiras deslavadas. Talvez as pessoas julguem o povo holandês como um povo ríspido. Eu discordo. O povo holandês é prático, é direto e sincero. Brasileiro (eu, inclusive, ha pouco tempo atras) tem mania de não querer falar pra não machucar, pra poupar sofrimento. Ninguém precisa disso! Aqui eles são do tipo "Te falarei na cara. Lide com isso.". E lide com isso mesmo! Já tenho meus problemas, por que diabos vou tentar minimizar o problema dos outros se tiver que poupar a sinceridade?
Essa próxima, eu não digo nem "a holanda me ensinou", mas a minha host me ensinou (ou ao menos está tentando bravamente me ensinar) a ser forte. A Chris é o tipo de pessoa que corta sofrimento. Não deu certo? Ok, tenta uma coisa diferente. Assim, rapidamente e com pouco sofrimento. Nunca vou esquecer do dia que a vi chorando e me desesperou muito. Porque ela é a Chris, ela não sofre, poxa! E todas as vezes que ela me viu triste ou chorando, ela me abraçava e repetia que "tudo ia ficar bem", "shit happens", "pula pra próxima". Não que ela seja sem coração (BEM longe disso). É só que ela não vê razão nenhuma pra sofrer por alguém ou por algum fato que deu muito errado na sua vida. As coisas acontecem.. Mais uma vez, lidemos com isso. Mas lidemos sem estender o sofrimento.
A Holanda me ensinou muita coisa boa e eu tava a um passo de me tornar uma tremenda de uma mal agradecida. O abraço de um menino de quatro anos e as quatro palavras holandesas que ele me falou, me trouxeram pra realidade da Holanda que eu estava prestes a esquecer. Sem demandas, a Holanda continua me deixando orgulhosa. Dessa vez, não só do país... mas de mim mesma!
Holanda - Agosto de 2013