domingo, 9 de junho de 2013

Ainda somos os mesmos - ou não

Eu tive algo parecido com uma crise de ansiedade ha umas duas semanas atras. Não digo que era só pelo fato de saber que logo minha mãe viria ou de todos os outros acontecimentos desse mês.. A crise foi mais por que eu não sabia o que esperar muito das coisas.

Era noite de terça-feira e estava eu e a Chris a caminho de Schipol, indo buscar minha mãe. Engraçado é que eu tava nervosa, porque afinal, além de vê-la, minha mãe estava prestes a conhecer a minha nova vida, nova família, as pessoas que passei a amar e o lugar que agora eu chamo de "casa". E eu tava ansiosa pra mostrar tudo isso pra ela.

No aeroporto mesmo eu já senti as mil diferenças entre a minha família e a minha "família" holandesa. Tava eu e a Chris atras de um taxi pro povo e de repente escutamos um estrondo pouco atras de nós. Era minha família, claro! Todos com dificuldade pra empurrar os carrinhos e derrubando as malas no chão. Olhei para trás e dei risada: eu tava era com saudade dessa natural falta de jeito que temos para as coisas.

Não sei dizer... vê-los (e especialmente ver minha mãe) foi como voltar pra agosto de 2012, só que um pouco diferente. Quando eu deixei São Paulo, eu sabia que quando eu voltasse a vê-los, eu não seria mais a mesma. O ano de intercâmbio não terminou ainda, mas ainda assim eu não sou mais a mesma. Porém, todos eles estão iguais. Estar com eles me fez ver como vai ser quando eu voltar, talvez.


Depois de muita risada no carro, chegamos na tão linda Bussum. E sério, Bussum é linda demais. Não tem como não amar. Minha mãe repetiu incansáveis vezes o quão "conto-de-fadas" tudo aqui se parece. Ela falou que entende a minha dificuldade de aceitar o fato de que tenho que voltar pro Brasil.

Estranho...Eu ouvia tudo bem quieta e pensativa. Pensava o quanto eu amo Bussum e o quanto eu amo minha mãe ao mesmo tempo. Porque uma coisa é verdade: eu nunca vou ter as duas coisas ao mesmo tempo. Não por mais que cinco ou seis dias. E é muito triste pensar que não posso viver na Holanda pra sempre pelo "simples" fato de todas as pessoas que amo morarem muito mas muito longe daqui.

Sei que foi muito bom tê-la aqui. Eu senti um alivio de responsabilidade, sabe como? Aqui eu sou responsável por mim mesma o tempo todo e, com ela por perto, foi como se eu falasse "ok, vamos dividir essa responsabilidade um pouco, por favor?". E tudo o que eu sentia era alívio.

Ao mesmo tempo, nós trocamos os papéis. Agora, era ela quem dependia de mim. Digo, até para falar! Tudo era eu quem tinha que fazer, conversar, resolver, traduzir, decidir, descobrir o caminho, pedir informações, comprar alguma coisa. E foi engraçado ver os papéis opostos. Eu era quem dependia dela pra quase tudo há nove meses atras. E, de repente, muita coisa mudou.

Na última noite que ela estava aqui, viemos tomar cerveja aqui em casa: eu, ela, a Chris e a Deborah. Talvez tenha sido o momento que mais vai ficar gravado na minha memoria. No meio de algum assunto, eu me desliguei das vozes ao redor e só fiquei observando. Olhava pra Chris e pensava o quanto eu gosto dela e o como é bom tê-la por perto. Ao mesmo tempo, olhava pro lado e via a mulher que mais amo no mundo, se esforçando pra entender o inglês falado corrido pela minha host, sempre com um sorriso no rosto e uma piada na manga.

Não da pra comparar. Amar minha host family não significa esquecer que eu tenho a melhor família do mundo me esperando no Brasil e torcendo com os dedos bem cruzados para que dezembro chegue logo.

Abaixo, mil fotos idiotas que tiramos no meio de um tanto de gargalhadas.











E, pra terminar, esse vídeo bobo:


                                          Junho: de longe o mês mais divertido dessa Holanda!