Foi a semana em que eu me desentendi com meus dois melhores amigos e comecei a me perguntar muita coisa sobre...bem, sobre tudo. Foi a semana que eu vi que nem sempre eu sou a errada da história e, que as pessoas que mais amamos também cometem erros que provavelmente vão nos deixar um tempo com um mini sentimento de raiva.
Então eu decidi esquecer maio. Maio desse ano é somente o mês que antecede junho. Não tive show, não tive viagem e o mês tem sido um tanto quanto puxado, porém, junho tá chegando. Não é exagero: todos os dias do mês de junho estão compostos de coisas importantes. Eu tenho tentado bravamente separar por ordem cronológica de fatos mas não tem sido fácil.
Hoje é dia 26 e é meu aniversário de Holanda. Diferente de quase todos os outros dias 26, hoje eu lembrei que era hoje! Peguei minha bicicleta, coloquei meu skate na garupa e lá fui eu pra Naarden Vesting. Foi um dia só meu: não encontrei as crianças, a Chris, a Oma ou minhas amigas: era eu e mais ninguém.
Depois de umas voltas desnecessárias, tranquei a bicicleta e me dediquei somente a deixar minhas pernas um pouco mais roxas (assim, não que seja possível...). Cansei e sentei numa ponte lindinha de Naarden, da qual eu já tinha passado tantas vezes, mas nunca sequer observado com tanto cuidado. Ouvia uma música da Beatrice Martin enquanto passava um filme corrido de 9 meses na minha cabeça.
26 de agosto - Olhava ao redor e não via ninguém que eu conhecesse por internet ou fotos. Aí aparece uma mãe, com duas crianças. Todos vestindo azul, pois essa era a cor que eu tinha avisado que estava usando, pra ser mais fácil me localizar. Eu abaixei pra dar oi pro Jaap e ele abriu aquele sorriso mais encantador do mundo e, definitivamente, me ganhou no primeiro sorriso. Eu tava nervosa e disparei a falar um inglês corrido, contando do drama que eu tinha acabado de passar no aeroporto de Paris.. Acho mesmo que nunca falei tantas palavras em tão poucos minutos! E a Chris, ela só sorria!
26 de dezembro - Madrugada, no carro com 3 crianças e um casal. A Chris tava equipada com tudo quanto é tipo de comida, mamadeira, chupeta, ipad, brinquedos e tudo o que você possa imaginar. Claro, eram longas 12 horas de viagem que tínhamos pela frente e aparentemente, essa não era sua primeira vez. A cena que não vou esquecer jamais dessa viagem, foi quando eu finalmente consegui cochilar um pouco e, quando abri os olhos o Jurrijn tava olhando pra mim (não sei ha quanto tempo) e gritou empolgado "LETITIA!!!", como se fosse muito importante eu estar acordada, ouvindo ele me contar sobre o episódio de Sponge Bob que ele tinha acabado de assistir.
Ele tinha acabado de aprender o que significava a palavra "dormir", então ele repetiu incansáveis vezes "Niet dormir, Letitia. Niet dormir!". Aquele holandês com português mais lindinho do mundo!
26 de janeiro - Eu tinha recém voltado de Roma e recém visitado o Homomonument em Amsterdam. Não lembro exatamente o que eu fiz dia 26 de janeiro, mas sei que foi a época que eu comecei a ver que eu ainda tenho o controle sobre mim mesma e posso fazer as coisas como eu bem entender. Ou como eu achar que me deixa mais feliz. Redescobrir o que estava perdido...esse foi meu mês de janeiro!
Fevereiro, Março e Abril foram consequências das decisões de janeiro, do ano novo. Posso dizer que foram só consequências boas. Quando a gente passa a saber lidar com a gente mesmo, tudo ao redor parece mais leve, mais palpável, entende? A gente começa a descomplicar o que nunca precisou ser complicado. Colorir o que tava um tanto quanto apagado...
Nove meses de Holanda e quatro meses que eu decidi jogar uma tinta na calçada e mostrar pra mim mesma que roxo e rosa podem ser bem mais divertidos que preto e branco.
Holanda - Maio 2013
