domingo, 30 de junho de 2013

A Grécia? Ah, ela nem existe. Aquilo lá é só um sonho...

Desde o dia que pisei na Holanda, minhas amigas e host family me escutam falar sobre “o quanto eu quero ir pra Grécia”. Não era segredo pra ninguém. Pesquisei as ilhas e decidi por Skopelos (sim, fui influenciada pelo filme Mamma Mia! e por toda a paisagem linda que ele tem).



Eu sabia poucas coisas sobre Skopelos: sabia que Mamma Mia! tinha sido gravado lá, sabia que era uma ilha pequena (o que combinava com meus planos de ter uma semana de férias relaxante) e sabia que era no FIM do mundo.

Foi um perrengue e tanto pra chegar. Me acho pouco mais esperta e corajosa por ter conseguido, confesso.  Amsterdam não faz voo direto então fui pra Alemanha, da Alemanha pra Atenas, de Atenas pra Skiathos e de Skiathos peguei um barco pra Skopelos. Boa parte da viagem eu duvidei que chegaria, sem mentira! Achei que iria perder algum voo, que não ia saber lidar com o negócio do barco e tudo mais... mas cheguei!

O taxista me deixou em tal ponto e falou “sobe aquela rua que é lá que você compra o ticket pro ferry”. Eu subi e eram aquelas ruas estreitas, brancas, de calçada desenhada que vemos em postais quando jogamos “Grécia” no Google. Que coisa mais linda! Meu olho encheu de lágrima e eu me senti a pessoa mais sortuda do mundo por estar vivendo aquele momento.

Os gregos, diferente do que a maioria das pessoas julga, são simpáticos e MUITO receptivos. Eles são abertos e conversadores, até mais que os italianos, acredite se quiser. O Brasil é extremamente bem visto lá. Todas as pessoas que conversei se mostraram muito animadas quando eu dizia ser brasileira. Tanto os homens, quanto as mulheres. Mas eles têm um defeito: o inglês deles é terrível. Sabe aquele inglês que aprendemos no ensino fundamental? Então, é mais ou menos assim. Me comunicar era muito difícil mas eles tem uma boa vontade do tamanho do céu pra querer entender e ajudar (muito mas MUITO diferente dos franceses). Uma das meninas que fiz amizade me disse o quão ruim é não entender, mas ao mesmo tempo ela não tem tempo de estudar e melhorar e disse que na Grécia nem tem tão bons professores assim.

Eu amei os gregos por eles serem um tanto quanto brasileiros. Não tem aquela frescura que holandês tem de “só dou beijo e abraço se já conheço a pessoa”. Eles já chegam abraçando e dando UM beijo (outra mania holandesa que eu odeio: sempre tem que dar três beijos). Eles falam com as mãos no maior estilo italiano e se notam que você ta precisando de ajuda, logo vão tentar ajudar. Sério, eles tão de parabéns! Vou ser a primeira a defender os gregos quando ouvir alguém falando mal (A Chris que me aguente. Ela diz que os gregos não são bem vistos pelo resto da Europa, pois foram eles que fizeram a economia europeia cair tanto).

Por falar em crise grega/europeia, eles não estão nem aí. Vende-se em cada esquina camisetas com os dizeres “We don’t have job so we don’t have problems. We are happy this way.” Juro que quase comprei porque achei o máximo. Mas ia ser um pouco estranho minha host family me ver usando um negócio desses. E não só por isso, eles realmente não aparentam estar preocupados. Se você acha que eu fui às praias e encontrei turistas? Errado. Encontrava era monte de gregos esticados no sol, ouvindo música e sabendo aproveitar a paisagem linda que eles têm.

A água do mar é incrivelmente cristalina. É como se nem tivesse água. Você olha pra baixo e vê seus pés detalhadamente, como se estivesse fora do mar. 


Mas o auge da viagem foi a capela do Mamma Mia! Chegando em Skopelos eu descobri que a ilha nem era tão pequena assim. Descobri que meu hotel era perto de tudo MENOS da tal capela. Fui numa agência de viagens e o homem me disse que só tinha passeio pra lá aos domingos. "Moço, eu vou embora sábado, méquefaz?"
Foi aí que o tal grego salvou minha vida. Mostrou passo a passo de como eu tinha que fazer pra chegar até lá. Os ônibus, o táxi, a caminhada...tudo. Mais uma vez, achei que não chegaria. O treco é no meio do nada e foi pra lá de difícil chegar. Mas é claro que o esforço valeu muito a pena. Subir aquelas escadas me fez ver (ok, parece clichê) que nada é impossível. Sério, nem eu imaginei que eu ia conseguir chegar nessa ilha tão longe e depois, mais uma vez, chegar nesse ponto da ilha tão longe! Força de vontade muda qualquer mundo.

A única coisa que poderia ter sido ruim nessa viagem, era o fato de que eu estava indo sozinha. Eu me dei conta que não era só uma semana longe da minha família holandesa: era uma semana longe de todo mundo que conheço! Eu nunca tinha ficado tanto tempo sozinha, só com gente estranha ao redor. Aí você se obriga a conversar com novas pessoas, fazer novas amizades (e cá entre nós, sou curitibana, conversar com estranhos nunca foi um talento nato). Mas deu certo! Quando a gente não tem muita opção, a gente aprende a lidar com a opção que temos.


Grécia - Junho de 2013