Desde o dia que pisei na Holanda, minhas amigas e host
family me escutam falar sobre “o quanto eu quero ir pra Grécia”. Não era
segredo pra ninguém. Pesquisei as ilhas e decidi por Skopelos (sim, fui
influenciada pelo filme Mamma Mia! e por toda a paisagem linda que ele tem).
Eu sabia poucas coisas sobre Skopelos: sabia que Mamma Mia!
tinha sido gravado lá, sabia que era uma ilha pequena (o que combinava com meus
planos de ter uma semana de férias relaxante) e sabia que era no FIM do mundo.
Foi um perrengue e tanto pra chegar. Me acho pouco mais
esperta e corajosa por ter conseguido, confesso. Amsterdam não faz voo direto então fui pra
Alemanha, da Alemanha pra Atenas, de Atenas pra Skiathos e de Skiathos peguei
um barco pra Skopelos. Boa parte da viagem eu duvidei que chegaria, sem
mentira! Achei que iria perder algum voo, que não ia saber lidar com o negócio
do barco e tudo mais... mas cheguei!
O taxista me deixou em tal ponto e falou “sobe aquela rua
que é lá que você compra o ticket pro ferry”. Eu subi e eram aquelas ruas
estreitas, brancas, de calçada desenhada que vemos em postais quando jogamos
“Grécia” no Google. Que coisa mais linda! Meu olho encheu de lágrima e eu me
senti a pessoa mais sortuda do mundo por estar vivendo aquele momento.
Os gregos, diferente do que a maioria das pessoas julga, são
simpáticos e MUITO receptivos. Eles são abertos e conversadores, até mais que
os italianos, acredite se quiser. O Brasil é extremamente bem visto lá. Todas
as pessoas que conversei se mostraram muito animadas quando eu dizia ser
brasileira. Tanto os homens, quanto as mulheres. Mas eles têm um defeito: o
inglês deles é terrível. Sabe aquele inglês que aprendemos no ensino
fundamental? Então, é mais ou menos assim. Me comunicar era muito difícil mas
eles tem uma boa vontade do tamanho do céu pra querer entender e ajudar (muito
mas MUITO diferente dos franceses). Uma
das meninas que fiz amizade me disse o quão ruim é não entender, mas ao mesmo
tempo ela não tem tempo de estudar e melhorar e disse que na Grécia nem tem tão
bons professores assim.
Eu amei os gregos por eles serem um tanto quanto
brasileiros. Não tem aquela frescura que holandês tem de “só dou beijo e abraço
se já conheço a pessoa”. Eles já chegam abraçando e dando UM beijo (outra mania
holandesa que eu odeio: sempre tem que dar três beijos). Eles falam com as mãos
no maior estilo italiano e se notam que você ta precisando de ajuda, logo vão
tentar ajudar. Sério, eles tão de parabéns! Vou ser a primeira a defender os
gregos quando ouvir alguém falando mal (A Chris que me aguente. Ela diz que os
gregos não são bem vistos pelo resto da Europa, pois foram eles que fizeram a
economia europeia cair tanto).
A água do mar é incrivelmente cristalina. É como se nem
tivesse água. Você olha pra baixo e vê seus pés detalhadamente, como se
estivesse fora do mar.
Mas o auge da viagem foi a capela do Mamma Mia! Chegando em Skopelos eu descobri que a ilha nem era tão pequena assim. Descobri que meu hotel era perto de tudo MENOS da tal capela. Fui numa agência de viagens e o homem me disse que só tinha passeio pra lá aos domingos. "Moço, eu vou embora sábado, méquefaz?"
Foi aí que o tal grego salvou minha vida. Mostrou passo a passo de como eu tinha que fazer pra chegar até lá. Os ônibus, o táxi, a caminhada...tudo. Mais uma vez, achei que não chegaria. O treco é no meio do nada e foi pra lá de difícil chegar. Mas é claro que o esforço valeu muito a pena. Subir aquelas escadas me fez ver (ok, parece clichê) que nada é impossível. Sério, nem eu imaginei que eu ia conseguir chegar nessa ilha tão longe e depois, mais uma vez, chegar nesse ponto da ilha tão longe! Força de vontade muda qualquer mundo.
A única coisa que poderia ter sido ruim nessa viagem, era o fato de que eu estava indo sozinha. Eu me dei conta que não era só uma semana longe da minha família holandesa: era uma semana longe de todo mundo que conheço! Eu nunca tinha ficado tanto tempo sozinha, só com gente estranha ao redor. Aí você se obriga a conversar com novas pessoas, fazer novas amizades (e cá entre nós, sou curitibana, conversar com estranhos nunca foi um talento nato). Mas deu certo! Quando a gente não tem muita opção, a gente aprende a lidar com a opção que temos.
