domingo, 3 de fevereiro de 2013

5 meses e o blábláblá do Patriotismo

Eu nunca achei nada que seja exagerado muito saudável. Ao longo desses 23 anos, eu pude adquirir opiniões fortes sobre mim mesma e, o que eu posso dizer é que exagero é exaustivo.


Eu odeio quem é obcecado por política e acha que todo mundo tem que ser também. Que discute isso com tanta propriedade e faz da política o tema principal de sua vida (ao menos nos meses de eleições). Eu odeio pessoas muito gays ou muito héteros. Quando deixa de ser sua sexualidade e passa a ser um tipo de auto afirmação ou um grito desesperado na tentativa de chamar atenção. Eu acho meio doente aquela pessoa que perde a festa de aniversário do filho porque vai ser no mesmo horário do último capitulo da novela. Enfim, toda paixão ou modo de ser exagerado, não é bom.

E eu tenho a mesma opinião por pessoas extremamente patriotas. Eu sempre gostei do Brasil mas morar fora me fez ver o tanto de defeito que esse país tem. É política, transporte, o não uso de sacolas plásticas que não funciona. Por quê na Holanda tudo isso dá certo e no Brasil não? Acontece que, nosso país pode ter um milhão de defeitos mas ainda assim, você é capaz de terminar um namoro porque o tal gringo ousou falar mal da sua tão linda cidade.

Você pode não ser a pessoa mais patriota do planeta, mas você jamais vai deixar que uma pessoa de qualquer canto do mundo fale mal do seu lugar, sendo que ela nem ao menos conhece ao vivo. Eu conheço a Holanda, eu sei o que eu posso falar mal dela. Mas do Brasil... não, não, meu amigo! Pode parar já!

É como em dia de jogo do Brasil na copa do mundo: você nem entende de futebol e nem é tão patriota assim, mas sai vestido de verde amarelo e gritando amor pela pátria.

Decidi fazer a tatuagem do Brasil porque foi aqui na Holanda que eu comecei a valorizar o lugar de onde vim. De novo, concordo que o Brasil tem milhões de defeitos, mas ainda assim é o lugar que eu vou pisar e vai ter muito amor me esperando. É o lugar que eu vou cantar "evidências" ou "é o amor" e todo mundo vai saber o quão brega eu sou. É o lugar que mora 99% das pessoas que amo e o lugar que passa programas de televisão que eu entendo.

Vai ser sempre o lugar que você assistia "Criança Esperança" em meados de agosto ou que você ligava a televisão as 19 horas de um domingo e lá estava o Faustão fazendo a mesma piada idiota - que você morria de raiva mas não trocava de canal de jeito nenhum!

O Brasil pode ter milhões de defeitos, mas foi lá que eu cresci e lá estão todos os meus costumes. Se eu falar  que a "Nina é a Rita" aqui, ninguém vai entender. E se eu fizer a piada "você canta tão bem quanto a Vanuza", ninguém vai achar graça. Porque são coisas que só brasileiro entende. E pode ser pequeno, mas quando você viaja por tanto tempo, você começa a reparar o quanto coisas pequenas fazem a diferença.

Por isso decidi tatuar o Brasil. Não sou a louca patriota que resolveu amar o país agora que está longe dele. Não. Sou só aquela que sente falta de coisas pequenas que só quem fala a mesma língua entende.

Duas pessoas que leem meu blog vieram me perguntar se eu vou desistir do intercambio. O que eu posso dizer é: saudade é diferente de querer voltar. Não interpretem errado.

A gente aprende a amar tudo. A gente aprende a se amar, em primeiro lugar. Amar as origens, amar - e dar mais valor - à nossa família. Poucos sabem o quanto é essencial se auto-conhecer pra poder conhecer os outros. Poucos sabem o quanto é importante conhecer outras culturas pra amar mais a nossa.


Holanda - Fevereiro 2013