sábado, 20 de abril de 2013

Sonho de adolescente?

 A primeira música da Pink que eu me lembro de ter escutado, foi "Don't let me get me". Eu tinha 13 ou 14 anos e a Pink pra mim era alguém que gostava de reclamar da vida.

Eu nunca fui fã de escola, nunca fui a pessoa mais organizada do planeta e não costumo ser o exemplo de filha desde...sei la, 1989. Ouvir uma música como "Don't let me get me", era quase que arrancar aquele monte de coisas presas dentro de um mini-eu.

Então os anos se passaram e não posso dizer que meu amor pela Pink só foi aumentando. Diferente de amor, minha admiração por ela sempre foi algo equilibrado: ouço as músicas, me identifico com as letras, acho ela foda, e é isso. Nunca fui do tipo "Meu nome é Letícia e sou fã da Pink".

Eis que ano passado, alguns dias depois do show da Lady Gaga, anunciaram que a venda de ingressos para o show da Pink abriria dentro de uma semana. Desse dia em diante, fiquei buzinando no ouvido da Chris pra ela comprar o ingresso pra mim as 10 da manhã do dia tal.

Chegou o dia tal, 10 horas da manhã e nada da Chris aparecer. Eu, morrendo de medo que os ingressos acabassem, estava praticamente enforcando-a em pensamento.
Algumas horas depois ela aparece, com uma cara triste e aflita, dizendo que o show estava SOLD OUT.

Ah, eu fiquei muito triste... de verdade! Nem eu sabia o tanto que eu queria ir nesse show. Até porque eu tinha acabado de voltar do show da Gaga, eu queria mais dessa alegria.

A Chris notou toda a minha depressão e sugeriu que eu comprasse o ingresso VIP, que era o único que ainda tinha. Empolguei demais até ela falar "é 200 euros."

Eu tinha recém chegado do Brasil, então eu ainda tava com a mania da conversão. Logo pensei: "200 euros, quase 600 reais, ai meu Deus, nem no show da Britney eu paguei tanto. Ah não, e agora?"

Fechei os olhos e falei "ok, compra!".

E então, o tão esperado 19 de abril chegou.

Era 8 da manhã e eu era a pessoa mais ansiosa desse planeta (por quê eu adoro encher de hipérbole meus
textos?...). O combinado era que eu iria ficar com os meninos até as 14 horas. Por azar (ou sorte) eles não tinham aula esse dia. Então ficava tendo que inventar mil coisas pra distraí-los, quando no fundo tudo o que eu queria era ficar ouvindo Pink.
O redbull que eu tomei, enfatizou a ansiedade já enfatizada e duas horas da tarde nunca demorou tanto pra chegar...

No meio de muita aflição, 13:30 a Chris me manda uma mensagem "I'm on my way, X". Pronto, a vida era linda e colorida de novo, e a Pink me esperava.

Ela chegou, eu me arrumei e saí correndo. Diferente do show da Lady Gaga (que foi no Ziggo Dome também), no show da Pink, os bares arredores ao local não estavam tocando Pink. Sério, achei muito estranho. No dia do show da Lady Gaga, aquele canto de Amsterdam respirava Lady Gaga. Em todos os bares tocavam só músicas dela e em todo o canto tinha uma pessoa esquisita, vestindo roupas estranhas no maior estilo Gaga (eu era a única normal. Eu e a Duda, no caso).


Apesar de Amsterdam não respirar Pink, já tinha muito fã acampado em frente ao local. Muita mas MUITA menina de cabelo-raspado-estilo-Pink e que acreditavam com muita firmeza serem parecidas com a tal (sério, seja você! Imitar não é legal, amiguinhos).

Tem toda uma pequena burocracia pra entrar na área vip, aí você ganha uma pulseirinha (rosa, lógico!) e ainda ganha algumas coisas da Pink e vale-bebidas, etc.


Mas, mais uma vez, o dia nunca demorou tanto pra passar. Eu cheguei lá as 15 e o show da Pink mesmo era só as 21. O pré show era as 20 e a gente só podia entrar no local as 18. Ou seja, ai que frio, Amsterdam!

Claro que se não acontecesse uma tragédia, essa história não era minha. Se você pensa que só brasileiro é maloqueiro, espante-se: era 18 horas e eu era uma das primeiras da fila. Na hora que abriu a porta de acesso ao palco, os holandeses enlouqueceram e saíram empurrando todos, no maior estilo macacos. Claro que eu, nessa terra de gente alta e forte, fui a primeira a cair. Mas caí BO-NI-TO. Do mesmo jeito que caí, levantei, porque afinal, eram aqueles segundos preciosos que eu tava perdendo caída, que definiriam o quão perto da Pink eu iria ficar. Então deixei pra me preocupar com a dor depois.

Corri e cheguei exatamente onde queria: na grade, sem nenhum ser gigante na minha frente. Era eu de frente pra Pink.

Eu posso contar essa história mil vezes, mas eu nunca vou conseguir descrever exatamente qual foi a emoção de vê-la ali tão pertinho pela primeira vez, na primeira música.

 A música era "Raise your glass", uma das minhas preferidas. O palco, a energia, as risadas e até o inglês com sotaque americano que eu já desacostumei a ouvir...tudo foi estranhamente bom!

É muito estranho ver ao vivo uma pessoa que você vê na televisão e no computador desde seus 13 anos. Ouvir ao vivo alguém que é a voz que você escuta todos os dias no seu ipod. São 10 anos conhecendo alguém que, na verdade, você nem conhece! Acho que esse era um dos motivos de eu estar tão animada.

Apesar de eu gostar da Gaga, ela é uma coisa nova, recente. Não passei parte da vida dedicando meu tempo pra traduzir músicas dela. Pink foi música-tema de muita aula de inglês nas tardes de Curitiba. É
alguém que lembra demais minha adolescência. Alguém que soube narrar em palavras cantadas, muita coisa que eu passei. Então, sério: não tinha como não emocionar.

O show é inteiro sobre amor. A turnê em si chama "The Truth about Love". A mensagem que ela tenta passar (ao menos foi a que eu entendi), é pra se deixar amar. Em uma parte do show, ela falou "Já fui considerada uma vagabunda muitas vezes. Eu me interpreto como uma pessoa que gosta de amar, é diferente."

Antes de cantar "Try", tem uma pequena introdução sobre o quão doido é amar. Que nos deixamos levar e que fazemos coisas inexplicáveis pelas pessoas que amamos (muitas vezes"stupid things", como ela mesma disse). Mas que mesmo assim, devemos apenas "try". Porque...por quê não, né?

Essa foto aqui do lado, foi pra mim o momento mais emocionante do show. Ela cantou "fucking perfect" por algum tempo virada pra mim (não na foto, como vocês podem notar). E "fucking perfect" é uma letra particularmente marcante pra mim, porque foi uma época da minha vida que muita coisa que eu não sabia lidar sobre mim mesma, veio a tona. E eu tive que aprender a lidar sozinha antes de poder compartilhar a "novidade" com alguém. Mas lá estava a Pink falando exatamente o que eu devia ouvir. Vê-la cantando na minha frente depois de tantos anos, foi um tanto quanto "dream come true".

Foi tudo lindo. Poderia ficar horas aqui contando cada detalhe. Mas gosto de resumir como: um dos dias mais lindos da minha vida.

A Pink é realmente aquela que transformou seu show em um circo, no qual ela faz acrobacias e pula por todos os cantos enquanto canta (ao vivo, viu Britney?). E nós que estávamos assistindo? Ah, nós eramos os palhaços mais felizes e hipnotizados dessa Holanda...



"Mistreated, misplaced, missunderstood
Miss know it, it's all good
It didn't slow me down
Mistaken. Always second guessing
Underestimated
Look, I'm still around!"


Amsterdam - 19 Abril 2013